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«Acordo não é lei. Não é mesmo. Nós vamos agir»

Carvalho da Silva alerta para «novo impulso suicidário» com acordo que vai mudar o mercado de trabalho

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«Acordo não é lei. Não é mesmo». O acordo alcançado na Concertação Social, sem a CGTP, «não pode e não vai ser prática porque nós vamos agir». E já a 11 de Fevereiro, com uma «grande manifestação nacional». No seu último discurso enquanto secretário-geral da Intersindical, Carvalho da Silva ouviu, logo depois destas palavras, a plateia, em uníssono e repetidamente: «A luta continua».

«O facto é que a política austeridade teve um novo impulso suicidário com o acordo de concertação social» e conduzirá a um maior «empobrecimento do país».

«Este acordo é pura e simplesmente de rechaçar». Merece «repulsa», porque só vai «contra os trabalhadores e o povo».

Um acordo que mostrou, diz Carvalho da Silva, que «o patronato e troika são insaciáveis». «Foram os próprios patrões que disseram que acabou por se resumir a mexidas na legislação laboral». Mas, lembrou, «sempre foi justificado para resolver problemas da produtividade e competitividade».

Carvalho da Silva frisou que a CGTP não fugiu ao processo de Concertação Social. Esteve lá, com «sentido de responsabilidade» até ao momento da discussão na especialidade. Mas, com o que nessa altura estava em cima da mesa, a CGTP «não se podia comprometer».

De qualquer modo, «derrotámos a meia hora, ou seja, 2,5 horas de trabalho a mais por semana. Com a luta obteremos novas vitórias».

«Em defesa dos interesse do trabalhadores do país, não aceitamos desregulação unilateral do trabalho, os bancos de horas, a redução do valor suplementar de trabalho, os despedimentos mais fáceis e baratos, o trabalho gratuito, a redução das férias e feriados, a redução das remunerações e dos subsídios de desemprego».

E, a propósito, Carvalho da Silva quis fazer uma «objecção forte» em termos éticos à mexidas nas pontes: «Sempre no sector privado, desde que me conheço, as pontes no sector eram negociadas conforme os interesses de produção das empresas e usando dias de férias dos trabalhadores. Aqueles que diziam que [as pontes eram a] demonstração da malandrice, agora inscreverem que a determinação passa a ser decidida pelo patrão e acabou-se. Agora as pontes já são boas para o país. Isto é uma falta grave de ética que nos deve chocar».

Mais: «O salário não pode voltar a ser mero subsídio de subsistência» e a manifestação de 11 de Fevereiro servirá para mostrar que os portugueses estão contra tudo isso, enfatizou.

«É uma acção para a qual deixamos um apelo. É uma acção necessária de mobilização geral neste momento. Uma acção aberta, muito necessária à defesa da democracia. Vamos todos. E vamos neste congresso traçar um rumo muito seguro para um sindicalismo de êxito nos próximos anos. Viva os sindicalistas portugueses, viva os trabalhadores e trabalhadoras que trabalham em Portugal e em todo o mundo».

Consciente de que «estamos longe de vencer os perigos» que a crise europeia criou e a condução das políticas nacionais agravou, Carvalho da Silva quis, sem «nenhum exagero» - e depois de saudações especiais aos que saem da direcção da CGTP, aos que continuam e sobretudo aos que entram - «deixar um abraço de gratidão», argumentando que «aquilo que sou no fundamental foi construído convosco, gerações de trabalhadores, activistas sindicais, ouvindo sugestões e críticas. Ninguém vai desistir. Um sindicalista é-o para toda a vida. Temos grandes desafios, mas vamos prosseguir e reforçar esta sindical».

E foi também um último «viva» que fechou o seu discurso: «Viva o Portugal de Abril!»

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