Governo reage: austeridade permite baixar impostos
Carlos Moedas escreve artigo de opinião no «Wall Street Journal» e garante que a redução da despesa abre portas a cortes na tributação dos portugueses
- PorRedacção
- 2012-01-27 08:16
O pacote de ajuda internacional a Portugal está a funcionar, permitindo recuperar competitividade apesar dos «ventos contrários».
E a descida do défice estrutural e da despesa primária vai «abrir a possibilidade de cortes de impostos». Foi o que
quis salientar o secretário de Estado-adjunto do primeiro-ministro, Carlos Moedas, num artigo no «Wall Street Journal», o
mesmo diário que, terça-feira, referia a possibilidade de Portugal necessitar de um segundo pedido de resgate.
À TSF, Moedas nega que este
artigo seja uma resposta a esse artigo que apontava o receio de economistas, investidores e políticos portugueses em relação
à eminência de uma renegociação da dívida.
No artigo de opinião, prefere antes salientar a resistência e determinação
demonstrada diariamente pelo povo português. Temos sorte de ter um forte consenso político e social em torno do imperativo
da disciplina orçamental e necessidade de mudança».
E não deixa de sublinhar que «Portugal já está a recuperar
a competitividade, apesar dos ventos contrários. É por isto que o crescimento vai voltar».
A suposição é retirada
de uma passagem de um relatório do Instituto de Finanças Internacional, que qualifica de «problemática» a viabilidade de Portugal
regressar aos mercados financeiros em 2013, e de citações do ex-ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos e o director
de uma corretora de investimentos, a FxPro.
Intitulado «Portugal Está a Vencer os Ventos Contrários», o artigo assinado
por Moedas defende que, oito meses depois do início do programa de ajuda, há «amplas provas de que Portugal está a aproveitar
esta oportunidade» para introduzir reformas que reforcem a competitividade.
Lembra que «alguns comentadores e
os mercados de obrigações secundários ilíquidos» mostraram nos últimos dias preocupações com a situação portuguesa, o que
atribui à «dificuldade de encontrar a informação relevante» sobre o que o país está a fazer para gerar crescimento e os indicadores
que mostram a correcção de desequilíbrios.
Moedas sublinha a trajectória de correcção do défice, citando dados do
Banco de Portugal, e aumento do nível de poupanças.
O aumento das exportações, num contexto de arrefecimento económico
global e menor procura nos mercados europeus, mostra que as empresas portuguesas estão a «tirar partido do forte potencial
de mercados emergentes com laços linguísticos a Portugal, como Brasil e Angola».
No conjunto, «Portugal está a mostrar
capacidade de restaurar a competitividade, dentro dos constrangimentos da união monetária».
Outros «trunfos» apresentados
são a privatização da EDP, cujo encaixe foi metade do total previsto para o programa de privatizações, o programa de reformas
estruturais, uma nova lei da concorrência «dentro de dias», novo código de insolvências, reestruturação de empresas públicas
e eliminação de serviços e posições de gestão redundantes.
Com o «marco importante» do novo acordo de concertação
social, salienta, as indemnizações por despedimento serão reduzidas e o processo simplificado, será promovida a formação profissional
e aumentada a produtividade através de medidas como a redução de dias de férias e feriados.
O acordo «vai contribuir
decisivamente para a nossa competitividade, enquanto promove condições para a paz social».
Moedas termina com um
nota de optimismo sobre o regresso ao crescimento económico: «Os primeiros oito meses» do programa de ajustamento «já mostram
que Portugal está a aproveitar esta oportunidade».
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