Carros: empresas de reboque em greve esta 5ª feira
Paralisação total é de 24 horas a nível nacional contra limites impostos pela legislação dos tempos de condução
- PorRedacção CPS
- 2012-02-08 18:42
As empresas de reboque vão parar na quinta-feira em protesto contra os limites impostos pela legislação dos tempos de condução,
que consideram ser ilegais, disse esta quarta-feira um dos promotores da paralisação.
«Vamos fazer uma paralisação
total de 24 horas a nível nacional», disse António Araújo, proprietário de uma empresa de reboques.
Em causa está
um regulamento de 2006 que estabelece que aqueles profissionais ficam isentos de tacógrafo num raio de 100 quilómetros, mas
que, segundo os empresários, não está a ser respeitado.
«As autoridades portuguesas deturparam a lei e obrigam-nos
a usá-lo. Depois as multas podem chegar aos nove mil euros», disse António Araújo.
Os profissionais dos reboques
consideram que não podem ser equiparados aos motoristas de pesados, por exemplo, porque podem estar as oito horas de trabalho
sem ocorrências e serem chamados para um serviço à noite, sujeitando-se a ser multados por estarem a circular além das horas
de serviço.
«Queremos que o Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres [IMTT] ponha em prática a legislação
em vigor, que foi deturpado», sublinhou citado pela Lusa.
As empresas de reboque exigem que as multas em curso que
ainda não tenham sido pagas sejam «arquivadas» porque foram «passadas indevidamente».
António Araújo disse ainda
que, se estas exigências não forem respeitadas, vão apresentar na sexta-feira uma queixa à União Europeia.
Contactado,
o presidente da Associação Nacional do Ramo Automóvel (ARAN), António Teixeira Lopes, demarcou-se desta paralisação, afirmando
que surge no momento errado.
«Este é um problema que já se arrasta há quatro anos. A ARAN está à espera de uma resposta
do secretário de Estado dos Transportes e, entretanto, já pedimos também na Assembleia da República a inconstitucionalidade
da lei do tempo de descanso e repouso», disse António Teixeira Lopes.
«Enquanto o secretário de Estado e a AR não
se pronunciarem, não seria lógico nem elegante que a ARAN fosse propor uma greve», acrescentou.
O responsável da
ARAN sublinhou que a associação «privilegia o diálogo com as autoridades».
«Não concordamos com a greve, mas estamos
de acordo com o problema. Tem de ser feita qualquer coisa para facilitar a vida dos rebocadores», concluiu.
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