Automóvel

Carros: empresas de reboque em greve esta 5ª feira

Paralisação total é de 24 horas a nível nacional contra limites impostos pela legislação dos tempos de condução

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As empresas de reboque vão parar na quinta-feira em protesto contra os limites impostos pela legislação dos tempos de condução, que consideram ser ilegais, disse esta quarta-feira um dos promotores da paralisação.

«Vamos fazer uma paralisação total de 24 horas a nível nacional», disse António Araújo, proprietário de uma empresa de reboques.

Em causa está um regulamento de 2006 que estabelece que aqueles profissionais ficam isentos de tacógrafo num raio de 100 quilómetros, mas que, segundo os empresários, não está a ser respeitado.

«As autoridades portuguesas deturparam a lei e obrigam-nos a usá-lo. Depois as multas podem chegar aos nove mil euros», disse António Araújo.

Os profissionais dos reboques consideram que não podem ser equiparados aos motoristas de pesados, por exemplo, porque podem estar as oito horas de trabalho sem ocorrências e serem chamados para um serviço à noite, sujeitando-se a ser multados por estarem a circular além das horas de serviço.
«Queremos que o Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres [IMTT] ponha em prática a legislação em vigor, que foi deturpado», sublinhou citado pela Lusa.

As empresas de reboque exigem que as multas em curso que ainda não tenham sido pagas sejam «arquivadas» porque foram «passadas indevidamente».

António Araújo disse ainda que, se estas exigências não forem respeitadas, vão apresentar na sexta-feira uma queixa à União Europeia.

Contactado, o presidente da Associação Nacional do Ramo Automóvel (ARAN), António Teixeira Lopes, demarcou-se desta paralisação, afirmando que surge no momento errado.

«Este é um problema que já se arrasta há quatro anos. A ARAN está à espera de uma resposta do secretário de Estado dos Transportes e, entretanto, já pedimos também na Assembleia da República a inconstitucionalidade da lei do tempo de descanso e repouso», disse António Teixeira Lopes.

«Enquanto o secretário de Estado e a AR não se pronunciarem, não seria lógico nem elegante que a ARAN fosse propor uma greve», acrescentou.

O responsável da ARAN sublinhou que a associação «privilegia o diálogo com as autoridades».

«Não concordamos com a greve, mas estamos de acordo com o problema. Tem de ser feita qualquer coisa para facilitar a vida dos rebocadores», concluiu.

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