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Acordo com Nissan «não reflectia garantias» para Estado

Álvaro Santos Pereira diz que acordo assinado entre o Governo de Sócrates e a empresa japonesa «tinha considerações que não podiam ser atendidas»

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O ministro da Economia disse esta terça-feira no Parlamento que o memorando assinado entre o Governo de José Sócrates e a Nissan «tinha considerações que não podiam ser atendidas» e que lhe faltava «objectivos mais ambiciosos e mais concretos».

Álvaro Santos Pereira, ouvido pelos deputados da comissão de Economia a pedido do PS, por causa da suspensão da fábrica da Nissan, acrescentou, citado pela Lusa, que a empresa japonesa pretendia «um incentivo do reembolso do investimento em 30 por cento e um período de carência de sete anos», acrescentando que o memorando assinado pelo anterior Governo «não reflectia qualquer tipo de garantia adicional».

O responsável governamental adiantou que, ainda antes do actual Governo ter tomado posse, em Maio de 2011, «o investimento projectado da Nissan já teria sido alterado, passando dos 240 milhões para 124 milhões de euros e de 50 mil baterias para 25 mil baterias e de 4 para 2 as linhas de produção».

Álvaro Santos Pereira, em tom crítico ao anterior Governo disse que, já em Maio do ano passado, «a Nissan começou a dar um sinal claro de desinvestimento no nosso país, enquanto um governo demissionário estava mais preocupado com o calendário eleitoral».

Apesar do anúncio de suspensão por parte da aliança Renault/Nissan, o ministro de Economia assegurou que vai continuar a acompanhar este projecto: «Preferimos fazer do que tirar fotografias».

Ministro «não fez nada» para manter Nissan

Na mesma comissão, o socialista Basílio Horta, que esteve nas negociações do projecto da Nissan como presidente da AICEP, criticou Santos Pereira por «não ter feito nada» para manter o investimento em Aveiro, questionando se o abandono da fabricante japonesa teria a ver com «a descontinuidade da política da mobilidade eléctrica» feita por este Governo.

Basílio Horta disse que «este investimento demorou dois anos a negociar» e que «depois de longas negociações ,conseguiu-se que a Nissan viesse para Portugal com base de um cluster de carro eléctrico».

O agora deputado do Partido Socialista adiantou que a Nissan «tinha vindo para Portugal porque o Governo português deu prioridade à mobilidade eléctrica».

A audição de Álvaro Santos Pereira pretende obter esclarecimentos sobre a suspensão do investimento previsto pela Nissan para a construção de uma fábrica de produção de baterias em Cacia, Aveiro.

O porta-voz da Nissan, António Pereira-Joaquim, disse à Lusa a 12 de Dezembro que a administração da aliança Renault-Nissan tinha decidido «suspender a fábrica de baterias elétricas em Portugal porque, após análise detalhada do plano de negócios, chegou à conclusão que as quatro fábricas espalhadas por todo o mundo seriam suficientes para os objectivos».

A fábrica de baterias da Nissan representaria um investimento de 156 milhões de euros e a criação de 200 postos de trabalho.

A unidade portuguesa iria produzir 50 mil baterias de iões de lítio por ano, numa área de 20 mil metros quadrados, e forneceria o «motor» para os carros elétricos da aliança Renault-Nissan com uma autonomia de 160 quilómetros.

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