Portugal quer pacto orçamental «sem sobressaltos»
Cimeira: Portas sublinha necessidade de aprovar tratado «de forma rápida»
- PorRedacção
- 2012-01-27 16:25
O ministro dos Negócios Estrangeiros disse esta sexta-feira que Portugal quer rapidez na aprovação do pacto orçamental,
que os líderes europeus devem discutir no Conselho Europeu de segunda-feira, mas frisou a necessidade de a Europa ter também
políticas de crescimento económico.
«Portugal, na circunstância em que está, tem todo o interesse em que esse tratado
seja aprovado, e sem sobressaltos. Para estabilizar a Zona Euro é importante assinar o tratado de forma rápida», disse Paulo
Portas, que falava à imprensa, à margem da conferência «Portugal e a América Latina, uma parceria estratégica para o século
XXI».
Considerando que o Tratado de Estabilidade, Coordenação e Governação na União Económica e Monetária é importante
para restabelecer a confiança na zona euro, Paulo Portas acrescentou que o instrumento «não esgota o que tem de ser feito
porque, nomeadamente, é necessária uma agenda de crescimento e de emprego».
Os chefes de Estado e de Governo da União
Europeia (UE) deverão terminar na segunda-feira, na reunião do Conselho Europeu, o processo negocial do acordo, um instrumento
intergovernamental - e não comunitário - ao qual o Reino Unido já disse que não se vai juntar e que deverá ser assinado até
ao início de Março.
O acordo prevê, entre outras medidas, a obrigação de introduzir na legislação dos países uma
norma permanente que impeça um défice estrutural superior a 0,5 por cento (a «regra de ouro»), com possíveis sanções financeiras
caso tal não aconteça, para além de recomendações e sanções quando um país ultrapasse os três por cento do défice e da
criação das cimeiras da zona euro.
Paulo Portas defendeu o tratado como uma forma de a Europa mostrar «responsabilidade
financeira» e que não entra em «aventuras no endividamento nem no défice» e que, por isso responde à crise de dívida soberana
que afecta a Zona Euro.
«Aquilo que para Portugal eram pontos indesejáveis ficou, felizmente, afastado (...) não
seria bom que houvesse um processo de aprovação prévia dos Orçamentos do Estado que pusesse em causa o papel da Assembleia
da República nessa aprovação, também não seria bom que existissem sanções que atingissem o direito de voto dos Estados no
Conselho Europeu, e é importante preservar o papel da Comissão Europeia no equilíbrio institucional da Europa», disse o ministro.
«Esses
três pontos, para nós, não deviam ser ultrapassados e a verdade é que nos textos que temos pela frente não o foram».
Em
discurso na conferência, organizada pela Associação Industrial Portuguesa e pela Casa da América Latina, e onde esteve também
António Costa, presidente da Câmara de Lisboa, Paulo Portas considerou que os países latino-americanos são uma das opções
europeias para escapar à crise financeira.
«Já houve décadas em que se dizia que a América latina era parte do problema.
É justo dizer que, nesta crise financeira que estamos a viver, a América Latina não é parte do problema, é parte da solução.
O mundo europeu tem hoje dificuldades de crescimento e, se olharem para os conjuntos de países da América Latina encontrarão
um dos exemplos de crescimento económico mais exponencial que hoje temos no mudo».
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