Economia Nacional

Crise do euro: Espanha e Itália não podem cair

Solução passa ainda por reestruturar dívida da Grécia, defende o economista Mark Weisbrot

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A solução para a crise de dívida soberana na Zona Euro é só uma: «reestruturar a dívida grega e garantir que as economias italiana e espanhola não caem». A opinião é do economista Mark Weisbrot, para quem a austeridade não tem apenas consequências positivas.

«É preciso reverter as políticas de austeridade» que a troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia) está a impor aos países em dificuldades financeiras, disse o economista, em entrevista à Lusa.

Isto porque, «com essas políticas, as economias estão a encolher» e a troika, «ao forçar os governos a apertar os seus orçamentos, está a aumentar as possibilidades de uma queda caótica dessas economias», sobretudo no caso da Grécia, mas também nos de Portugal, Itália e Espanha.

Portugal não precisa de reestruturar dívida, por agora

O co-fundador do Center for Economic and Policy Research (CEPR), uma organização norte-americana de investigação, admite que «é possível» que também a dívida de Portugal e da Irlanda sejam reestruturadas «mas, nesta altura, isso não é necessário».

Para isso, «o BCE tem de baixar as taxas de juro como está a fazer a Reserva Federal», nos Estados Unidos. Mark Weisbrot tem dificuldade em explicar a opção de política monetária do BCE mas arrisca duas justificações: «Em parte, é uma questão ideológica e, ao mesmo tempo, é uma visão irracional de que [baixos juros] aumentam a inflação».

O economista norte-americano considera que a proposta de taxar as transacções financeiras, avançada quarta-feira pelo presidente da Comissão Europeia, é «uma óptima ideia», defendendo que o imposto deve ser aplicado em todas as economias do euro.

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, anunciou quarta-feira no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, que o executivo comunitário propôs uma taxa sobre as transacções financeiras que poderá render anualmente 55 mil milhões de euros.

Num artigo publicado na semana passada no jornal britânico «The Guardian», Weisbrot defendeu que a crise que a Zona Euro atravessa «não é tanto uma crise de dívida, mas uma crise de falha política».

«Há sempre alternativas para uma década sem crescimento, biliões de dólares de riqueza perdidos e milhões de desempregados em Espanha, Portugal, Grécia e agora em Itália». Haja «vontade política e competência para mudar de rumo», defendeu o economista.

Formado em Economia pela Universidade do Michigan, Mark Weisbrot é co-director do CEPR, em Washington, e presidente do Just Foreign Policy, uma organização independente cuja missão é «reformar a política externa dos Estados Unidos (...) com base na diplomacia, na lei e na cooperação».

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