Crise do euro: Espanha e Itália não podem cair
Solução passa ainda por reestruturar dívida da Grécia, defende o economista Mark Weisbrot
- PorRedacção RL
- 2011-10-02 18:10
A solução para a crise de dívida soberana na Zona Euro é só uma: «reestruturar a dívida grega e garantir que as economias
italiana e espanhola não caem». A opinião é do economista Mark Weisbrot, para quem a austeridade não tem apenas consequências
positivas.
«É preciso reverter as políticas de austeridade» que a troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário
Internacional e Comissão Europeia) está a impor aos países em dificuldades financeiras, disse o economista, em entrevista
à Lusa.
Isto porque, «com essas políticas, as economias estão a encolher» e a troika, «ao forçar os governos a apertar
os seus orçamentos, está a aumentar as possibilidades de uma queda caótica dessas economias», sobretudo no caso da Grécia,
mas também nos de Portugal, Itália e Espanha.
Portugal não precisa de reestruturar dívida, por agora
O
co-fundador do Center for Economic and Policy Research (CEPR), uma organização norte-americana de investigação, admite que
«é possível» que também a dívida de Portugal e da Irlanda sejam reestruturadas «mas, nesta altura, isso não é necessário».
Para
isso, «o BCE tem de baixar as taxas de juro como está a fazer a Reserva Federal», nos Estados Unidos. Mark Weisbrot tem dificuldade
em explicar a opção de política monetária do BCE mas arrisca duas justificações: «Em parte, é uma questão ideológica e, ao
mesmo tempo, é uma visão irracional de que [baixos juros] aumentam a inflação».
O economista norte-americano considera
que a proposta de taxar as transacções financeiras, avançada quarta-feira pelo presidente da Comissão Europeia, é «uma óptima
ideia», defendendo que o imposto deve ser aplicado em todas as economias do euro.
O presidente da Comissão Europeia,
Durão Barroso, anunciou quarta-feira no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, que o executivo comunitário propôs uma taxa sobre
as transacções financeiras que poderá render anualmente 55 mil milhões de euros.
Num artigo publicado na semana passada
no jornal britânico «The Guardian», Weisbrot defendeu que a crise que a Zona Euro atravessa «não é tanto uma crise de dívida,
mas uma crise de falha política».
«Há sempre alternativas para uma década sem crescimento, biliões de dólares de
riqueza perdidos e milhões de desempregados em Espanha, Portugal, Grécia e agora em Itália». Haja «vontade política e competência
para mudar de rumo», defendeu o economista.
Formado em Economia pela Universidade do Michigan, Mark Weisbrot é co-director
do CEPR, em Washington, e presidente do Just Foreign Policy, uma organização independente cuja missão é «reformar a política
externa dos Estados Unidos (...) com base na diplomacia, na lei e na cooperação».
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