Portas defende novo funcionamento para agências de rating
Presidente do CDS-PP diz que agências saíram misteriosamente incólumes da crise financeira
- PorRedacção
- 2012-02-22 17:48
O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, escreve no prefácio do livro «O Poder das Agências», de Diogo Feio e Beatriz Soares
Carneiro, que as agências de notação saem «misteriosamente incólumes» da crise financeira e defende novos «métodos de funcionamento».
No
prefácio do livro, que vai ser apresentado na quinta-feira em Lisboa, Paulo Portas refere-se a um recente relatório sobre
as agências de notação financeira para afirmar que se tratam de organismos que desempenham um papel principal desde o início
da crise mas que, ao contrário de outras instituições, ainda não foram responsabilizadas.
«Os bancos, os reguladores,
os auditores e os governos já foram responsabilizadas pelas suas ações. Exceto as Agências de Notação. Ora, como nota este
trabalho, quase se tornaram uma espécie de 'regulador suplente'. E, friso, de todos os agentes culposos ou negligentes da
crise de 2008, os notadores (triple A!) de produtos tóxicos saíram, até hoje, misteriosamente incólumes», escreve Paulo Portas
que propõe uma discussão sobre a questão «que atravessa a legislação» que se aplica ao setor financeiro.
«Não tenho
dúvidas que existe uma necessidade de reforma, de dar muito maior transparência a estas empresas, maximizar a sua efetiva
concorrência, e a forma como atuam. Têm de ter decisões claras, estáveis, controláveis e controladas», considera.
Para
Paulo Portas, «têm de ser estabelecidas regras específicas, nomeadamente quanto ao modelo de financiamento» e que deve ser
analisado o papel das agências na notação das dívidas soberanas.
«A estabilidade e a transparência metodológica bem
como a própria discussão sobre se as agências são um meio adequado para notar as dívidas dos Estados, são aspetos inelutáveis
de uma revisão da matéria», conclui Paulo Portas no prefácio do livro, que identifica os problemas de método e de funcionamento
das agências de notação.
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