Transportes: alunos pagam por dívidas nas Câmaras
Municípios em causa são: Vila Nova da Barquinha, Cartaxo, Almeirim, Torres Novas, Nazaré e Bombarral
- PorRedacção LF
- 2012-01-27 09:59
O presidente da Rodoviária do Tejo advertiu esta sexta-feira que os alunos dos seis municípios que persistem no incumprimento
do pagamento da dívida à empresa vão ter que passar a pagar o título de transporte a partir de 1 de Fevereiro.
Rui
Silva disse à agência Lusa que os alunos dos municípios de Vila Nova da Barquinha, Cartaxo, Almeirim, Torres Novas, Nazaré
e Bombarral correm o risco de ter que pagar o seu título de transporte já a partir de quarta-feira, porque os atrasos nos
pagamentos destas autarquias são insustentáveis e os incumprimentos recorrentes.
«Estamos a alertar que a corda vai
rebentar. Não é possível continuar a arrastar a situação», afirmou, sublinhando que neste momento a empresa está com «tolerância
zero» e que as câmaras foram alertadas para esta situação limite.
Rui Silva adiantou que a empresa começou já a informar
algumas escolas para a eventualidade de, a partir de 1 de Fevereiro, os alunos só entrarem nos seus autocarros se pagarem
os respectivos títulos.
«Há reacções de Câmaras para tentar arranjar solução para evitar que esse passo limite aconteça,
mas é insustentável andarmos continuamente a mendigar que paguem os serviços por nós prestado», sublinhou.
Segundo
disse, dos 43 municípios servidos pela Rodoviária do Tejo apenas em 12 os atrasos nos pagamentos não ultrapassam os três meses,
existindo alguns municípios com 22 meses de atraso, com a agravante de que «nem sequer avisam quando vão entrar em incumprimento»
nos planos de pagamento entretanto acordados.
Rui Silva frisou que a empresa se tem multiplicado em esforços para
ajudar os municípios a encontrar uma solução, seja através de uma adequação da oferta à procura quer diligenciando junto da
banca para encontrar soluções de financiamento que acabam por ser penalizadoras para a própria empresa.
O presidente
da Rodoviária do Tejo disse compreender que, de facto, algumas das autarquias, apesar da boa vontade, não têm soluções, pelo
que a Administração Central «tem que intervir».
Para Rui Silva, as empresas estão a viver «uma situação limite» e
já não têm condições para continuar a «financiar o sistema», sob o risco de porem em causa o pagamento de salários e enfrentarem
conflitualidade social.
O presidente da Rodoviária do Tejo recordou que já no início do ano lectivo a empresa alertou
as autarquias de que «não tinha margem de manobra» e que se corria o risco de serem os estudantes a suportar os custos do
transporte escolar.
Esse alerta levou a que entre Setembro e Novembro houvesse alguma recuperação da dívida, que
na altura rondava os 10,5 milhões de euros, mas em Dezembro houve uma inversão, tendo o saldo aumentado em mais 0,5 milhão
de euros, afirmou.
Rui Silva disse esperar que até 1 de Fevereiro, as autarquias em causa dêem «passos concretos».
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