Economia Nacional

Troika concorda que empresas precisam de crédito

Terceira avaliação do programa de resgate conclui que é preciso ferramentas para que os bancos aumentem disponibilidade de financiamento

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A terceira avaliação à execução do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF) terá chegado à conclusão que a economia portuguesa precisa que os bancos aumentem a sua disponibilidade de financiamento, avança a edição desta quinta-feira do «Jornal de Negócios».

Segundo o diário, os elementos da troika concordam com as autoridades portuguesas em relação a esta falta de crédito às empresas e estão já a ser estudadas alternativas através de um maior acesso ao Banco Central Europeu, uma desalavancagem mais lenta, aumento de capital da Caixa Geral de Depósitos e a reativação do mercado monetário nacional.

Ainda ontem foi noticiado que o financiamento de longo prazo que o Banco Central Europeu (BCE) disponibilizou à
banca europeia pode estar prestes a esgotar-se. O «Deutsche Bank» acredita que a segunda ronda de empréstimos a três anos, marcada para o fim deste mês, pode ser a última do programa.

A verificar-se a previsão do economista chefe do banco alemão, Thomas Mayer, este «corte» abrupto de financiamento aos bancos pode apanhar o mercado de surpresa, já que existe a convicção de que o programa continuaria pelo resto do ano.

Nestas operações, o BCE empresta aos bancos europeus o montante pedido (ilimitado) desde que os bancos apresentem garantias suficientes e elegíveis para o efeito. Tem sido através deste mecanismo que os bancos dos países financeiramente mais vulneráveis, com maiores dificuldades de acesso ao mercado interbancário, se têm financiado.

Segundo o «Negócios», uma das ferramentas para aumentar a disponibilidade de crédito será precisamente o recurso ao BCE, aproveitando nomeadamente a segunda operação de refinanciamento a três anos que decorrer no final do mês de Fevereiro. O que está a ser negociado, avança o jornal, é a possibilidade de a banca portuguesa aumentar a sua exposição ao BCE em cerca de 20%.

Outras das medidas que irá aliviar a restrição de crédito passa por suavizar o ritmo de desalavancagem a que o programa obrigava os bancos. O objetivo final mantém-se, mas a exigência de prazos será suavizada. O crédito tem de representar em cada banco 120% dos depósitos em 2014. Mas para este ano, os bancos poderão respirar um pouco mais e apresentar um rácio de alavancagem superior ao previsto.

Segundo o «Negócios», há mais ferramentas em cima da mesa: a CGD poderá usar ainda linha de capital para a banca, fazendo com que o banco estatal recorra à linha de 12 mil milhões de euros que integra o empréstimo financeiro internacional, uma opção que não era possível segundo as primeiras regras da troika.

Por fim, e como quarta medida para aumentar o crédito à economia, o mercado monetário nacional poderá ser reativado: antes da criação da União Económica Monetária, esta plataforma era utilizada para os bancos cederem liquidez em excesso uns aos outros.

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