Carnaval: mesmo sem tolerância, metade do país parou
Maioria das autarquias, mesmo dos partidos do Governo, deu folga ao pessoal. Empresas públicas e privadas também
- PorPaula Gonçalves Martins
- 2012-02-21 09:30
O facto de o Governo não ter concedido este ano tolerância de ponto à função pública no Carnaval não impediu que metade
do país parasse. Os funcionários do Estado acabam mesmo por ser dos poucos a trabalhar.
Sectores como a Saúde e a
Educação estarão a funcionar normalmente mas, mesmo no sector público, pode contar hoje com muitas portas fechadas. Das 278
autarquias, a larga maioria (64%) concedeu tolerância. Só 36% chamaram os funcionários a trabalhar. Mesmo das 121 câmaras
dominadas pelos partidos do Governo (PSD e CDS-PP), 59% decidiram dar folga aos trabalhadores.
Banca fechada e
transportes a meio gás
Também o Banco de Portugal (BdP) não vai seguir a decisão do Governo e apenas os
serviços fundamentais estarão a funcionar. O Acordo de Empresa do banco central estabelece que a instituição deve observar
a terça-feira de Carnaval, e é o que fará. Também o acordo coletivo de trabalho do sector bancário prevê este dia como feriado,
por isso, a banca está de folga: BES, BCP, BPI, Santander Totta e Banif, entre outros, estão fechados.
No sector
empresarial, também há muitas portas fechadas, e não só no sector privado. À semelhança do que acontece no BdP, as empresas
de transportes públicos, como a CP ou o Metro de Lisboa, têm também o Carnaval como feriado nos Acordos de Empresa, e o serviço
fica reduzido.
Empresas públicas e privadas param
RTP, TAP, ANA e CTT, entre muitas outras empresas
públicas, têm também Acordos de Empresa ou acordos coletivos de trabalho e, quem não tem folga, tem direito a receber horas
extraordinárias ou é depois compensado com horas livres.
Empresas privadas como a EDP, Galp, Microsoft e REN também
dão tolerância de ponto.
Apenas nos sectores onde o trabalho aos fins-de-semana e feriados é prática corrente (como
a restauração, turismo e comércio), se trabalhará normalmente. Mesmo assim, empresas de grande distribuição, como a Jerónimo
Martins (Pingo Doce) ou a Sonae (Continente), encaram o dia como feriado.
Até empresa do presidente da CIP fechou
A
própria empresa Metalúrgica Luso-Italiana, liderada pelo presidente da Confederação Industrial Portugal (CIP), António Saraiva,
estará encerrada na terça-feira, dia de Carnaval, uma vez que o contrato coletivo do setor consagra esta data como feriado.
Mas
há também algumas exceções. Por exemplo, a PT e a Vodafone vão funcionar normalmente.
No mundo político, o primeiro-ministro,
o Presidente da República e os deputados terão também um dia cheio... de trabalho.
O ministro da Economia
diz que a culpa de o país estar a meio gás é dos acordos coletivos e não pode responder por empresas nem pelas autarquias.
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