Falhou acordo para OE2011: Catroga acusa Governo de «posição inflexível»
Representante do PSD anuncia fim das negociações. E acusa Executivo: «Não existe vontade político»
- PorPaula Gonçalves Martins
- 2010-10-27 11:10
«Não existe vontade política de fazer medidas adicionais». Com esta frase Eduardo Catroga resumiu o fim das negociações,
que o PSD já anunciou terem oficialmente terminado sem acordo.
«O Governo quer sacrificar as famílias os funcionários
públicos e as empresas e não quer fazer o trabalho de casa que lhe compete, deixou aumentar desmesuradamente a despesa do
Estado (...) e tinha obrigação de ser mais agressivo no esforço, que agora começou, por pressão dos mercados e da União Europeia»,
disse o ex-ministro Eduardo Catroga aos jornalistas, numa declaração sem direito a perguntas.
Não há dúvidas para
Eduardo Catroga: «O Governo actuou à pressão e podia ter sacrificado menos os funcionários públicos e famílias mas não quer».
Apesar
de se ter comprometido a entregar um relatório detalhado sobre a execução orçamental neste ano, o ministro nunca chegou a
entregar o documento. Mesmo assim, diz Catroga, durante a ronda negocial, a equipa do PSD apercebeu-se do «grande buracão
nas contas públicas», que se regista este ano.
De acordo com o ex-ministro de Cavaco, ente as previsões apresentadas
em Julho no relatório de política orçamental, e as apresentadas em Setembro, em termos de despesa corrente primária (sem juros),
«o Governo deixou derrapar as contas públicas em mais de 2 mil milhões de euros». Ou seja, «em vez de reduzir a despesa, ainda
agravou mais o problema, ao contrário do que fizeram outros países, como Espanha, Grécia, Irlanda».
«Percebi que
a base de partida era muito gorda», disse Eduardo Catroga, acrescentando que, «quando nos deixamos engordar é mais fácil definir
objectivos logo no primeiro mês. Nas contas públicas, é importante traçar metas (de emagrecimento) para o primeiro ano».
«Daí
a nossa preocupação de demonstrar tecnicamente que o Governo tem margem de manobra para eliminar custos inúteis», disse, exemplificando
com aquilo a que chama o estado paralelo: «a proliferação de institutos, fundações, empresas municipais e regionais» que «estão
a afogar os contribuintes».
Eduardo Catroga descreveu o longo processo de negociação, em que a sua equipa tentou
demonstrar, tecnicamente, ao ministro, que seria possível cortar mais despesa, eliminando desperdícios, e com isso aliviar
«os efeitos muito gravosos sobre famílias e empresas», não aumentando a taxa normal de IVA ou, pelo menos, não alterando a
lista de produtos com taxa reduzida e intermédia.
«O governo foi insensível à nossa argumentação», afirmou. «Salientámos
que existe grande margem de cortes de despesa, que compete ao Governo indicar medidas concretas e sectoriais. Medidas concretas
só quem tem o poder executivo é que pode tomar e pode definir em concreto».
De acordo com o representante, o impacto
adicional destas medidas era de apenas 450 milhões de euros, o equivalente a 0,25% do PIB.
Ministro e Eduardo Catroga
tinham chegado a acordo após a sua reunião a sós na manhã de quarta-feira. Pelo menos, era o pensava o social-democrata.
«Estávamos
neste diálogo, o senhor ministro, por razões só que ele sabe, interrompeu ao meio-dia. Tinha sinais de que era possível um
acordo até ontem. Mas depois de 4 horas à espera sem contactos, fiquei com a impressão de que algo de estranho se estava a
passar», disse Catroga.
«Depois de estar a secar durante 4 horas, à espera, sem contactos, tive um problema familiar
e tive de ir para casa. Estava convencido de que a reunião desta manhã era a continuação da reunião a dois. Mas estava enganado.
Percebi porquê¿ o Governo tinha uma contraproposta final e não era susceptível de discussão. Tinha a questão dos produtos
alimentares, mas ignorava todo um conjunto de preocupações. Esta contraproposta representa, em termos líquidos, à volta de
200 milhões de euros, e pede mais sacrifícios».
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