Cavaco: «Criticar mercados é um erro e só prejudica Portugal»
Presidente da República espera que FMI não seja necessário
- PorRedacção CPS
- 2010-11-09 19:20
O Presidente da República recusou esta terça-feira qualquer «retórica de ataque aos mercados internacionais», considerando
que é um «erro» que prejudica a economia portuguesa. Já sobre um eventual recurso ao FMI disse apenas esperar que não seja
necessário.
«A retórica de ataque aos mercados internacionais não cria um único emprego, nós devemos fazer o trabalho
que nos compete de forma a reduzir a nossa dependência do financiamento externo sempre com uma grande preocupação de distribuir
com justiça os sacrifícios que são pedidos aos portugueses», afirmou o chefe de Estado, em declarações aos jornalistas, no
final do 4º Encontro da Rede PME Inovação COTEC, que decorreu em Lisboa, cita a Lusa.
Interrogado sobre como poderá
o país «aguentar-se» no curto prazo com os juros da dívida portuguesa a superarem os 7%, o chefe de Estado insistiu que «não
compensa absolutamente nada para a economia portuguesa e para o emprego em Portugal estabelecer uma retórica de ataque às
posições dos mercados».
«Retórica não cria um único emprego»
«É um erro, devemos sim trabalhar, trabalhar
para aumentar a competitividade da nossa economia, fazer aquilo que estas Pequenas e Médias Empresas (PME) inovadoras estão
a fazer e outra pelo país fora, porque é este o caminho, não é o caminho das ilusões, nem o caminho das utopias», defendeu.
Acrescentou
que o «caminho da retórica» e de «ataque aos mercados» pode dar títulos de jornais, notícias na televisão ou na rádio, «mas
não resolve um único problema do nosso país».
Cavaco Silva escusou-se, contudo, a responder directamente se fará
sentido Portugal recorrer à ajuda do FMI - Fundo Monetário Internacional - dizendo apenas esperar que tal não seja necessário.
«Espero
que não seja necessário é o que eu posso dizer» repetiu sempre perante a insistência dos jornalistas.
Questionado
se considera que os mercados estão a «exagerar», o Presidente da República voltou a recusar entrar «nessa retórica», reiterando
que é negativa para Portugal.
«Defendo acima de tudo os interesses de Portugal e, portanto, ninguém conte comigo
para prejudicar o país numa retórica desnecessária e numa retórica que é absolutamente negativa para o emprego no nosso país»,
declarou.
O Presidente da República escusou-se também a responder se terá sido um erro o ministro das Finanças estabelecer
a barreira dos 7% para recorrer à ajuda do FMI, sublinhando que «a única barreira está no trabalho que ainda não fizemos e
temos de fazer».
«É só aí que devemos olhar, o resto não cria, repito, um único emprego e não vale a pena perder
tempo com aquilo que os mercados estão ou não a fazer no chamado mercado secundário, porque há muitas gente que confunde aí
o mercado secundário com o mercado primário e é o mercado primário que acima de tudo interessa neste momento para Portugal»,
rematou.
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