Economia

Ex-ministros: precisamos de «medidas adequadas e urgentes»

Responsáveis estiveram reunidos com presidente da República para debater estado do país

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O grupo de 10 ex-ministros das Finanças que hoje reuniram com o Presidente da República manifestaram a sua «profunda preocupação» com a situação do país e defenderam «decisões adequadas e urgentes» para a ultrapassar.

«Viemos manifestar ao senhor Presidente da República a nossa profunda preocupação, mas também a nossa convicção que os portugueses, tal como no passado, apoiarão as medidas que se impõem face à situação actual para restabelecer a confiança na economia portuguesa, desde que essas medidas sejam apresentadas com transparência», disse, em nome do grupo de ex-governantes, o antigo ministro das Finanças Manuel Jacinto Nunes, escreve a Lusa.

Numa curta declaração à saída do encontro com Cavaco Silva, os ex-ministros defenderam - sem especificar quais - medidas «adequadas e urgentes» para resolver «os problemas actuais».

«Portugal viveu no passado situações muito difíceis do ponto de vista das finanças públicas e sempre honrou com determinação os seus compromissos. Estamos certos de que Portugal, com decisões adequadas e urgentes também resolverá os problemas actuais», disse Jacinto Nunes, antigo governador do Banco de Portugal e presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Questionados pelos jornalistas após o encontro de cerca de duas horas com Cavaco Silva, os antigos ministros das Finanças escusaram-se a especificar os assuntos abordados na reunião com o Chefe de Estado - «não viemos aqui por causa das obras públicas», disseram apenas - e salientaram que não houve «nenhuma reunião prévia conjunta» do grupo de ex-governantes.

«Tínhamos a preocupação comum da situação do país e do seu agravamento, mas nunca discutimos em conjunto esses problemas», comentou Jacinto Nunes, adiantando que não está previsto mais nenhum encontro conjunto.

Perante a insistência dos jornalistas, o ex-ministro João Salgueiro ironizou: «não falaremos do que se passou na reunião. Nenhum de nós vai fugir para o estrangeiro amanhã».

Medina Carreira interveio também para afirmar: «de amanhã em diante voltaremos a ter opiniões para a comunicação social».

A Belém deslocaram-se esta segunda-feira os ex-titulares da pasta das Finanças Eduardo Catroga, Bagão Félix, João Salgueiro, Manuela Ferreira Leite, Medina Carreira, Hernâni Lopes, Miguel Beleza, Pina Moura, Luís Campos e Cunha e Manuel Jacinto Nunes.

O primeiro-ministro anunciou na sexta feira em Bruxelas, após uma reunião do Eurogrupo, o adiamento de grandes investimentos públicos, como as obras do futuro aeroporto e a terceira travessia do Tejo, no quadro do esforço de acelerar as medidas de consolidação orçamental.

Em reação, o Presidente da República disse que a decisão do Governo de reponderar todas as grandes obras públicas não adjudicadas «vai ao encontro daquilo que muitos economistas e políticos têm defendido». Os partidos dividiram-se entre o apoio à decisão do governo e as críticas ao facto de não ter adiado também o TGV.

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