Cavaco: «Escrevi há sete anos o que está a acontecer hoje»
Presidente da República publicou «Dores de Cabeça» em Maio de 2003, no qual alertou para o endividamento externo
- PorRedacção
- 2010-12-03 20:20
Chama-se «Dores de Cabeça», foi escrito há sete anos mas podia ter sido hoje. A autoria é do Presidente da República e
nele Cavaco Silva diz descrever «aquilo que está a acontecer hoje» na economia nacional.
«Há muito tempo que aponto
o rumo que Portugal tem de seguir para conseguir enfrentar as dificuldades. Logo em 2003, quando publiquei um texto intitulado
«Dores de Cabeça», escrevi com sete anos de antecedência aquilo que está a acontecer hoje em Portugal», disse Cavaco Silva
aos jornalistas, na Argentina, antes de participar na XX Cimeira Ibero-Americana.
No artigo, Cavaco refere-se ao
endividamento «sem limites», defendendo que «no médio ou longo prazo, um défice continuado das contas externas acaba por manifestar-se
sob a forma de aumento do prémio de risco, racionamento do crédito ou transferência de activos das mãos nacionais para as
mãos estrangeiras».
O discurso foi proferido numa conferência de homenagem a José Silva Lopes, e o texto foi um claro
aviso à navegação do Governo de Durão Barroso e à ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite. E o aviso é simples: «A despesa
das famílias, das empresas e do Estado tem de ser contida», mesmo estando num espaço monetário unificado, como é o caso de
Portugal.
Porque um «excesso de despesa interna (...) traduz-se num aumento do endividamento para com o exterior
e, consequentemente, num aumento dos juros a pagar no futuro ao estrangeiro».
O «Jornal de Negócios» republicou
o texto lido na conferência de homenagem a Silva Lopes, em Maio de 2003. Leia aqui o artigo na íntegra
O Presidente da República, esta sexta-feira, aos jornalistas,
destacou ainda um segundo artigo da sua autoria, igualmente sobre as condições económicas do país.
«Antes de ser
Presidente da República, também publiquei um artigo chamado «A ideia base», em que dizia, já nessa altura, que Portugal
não tinha nenhuma hipótese de se afirmar como país desenvolvido, mais próximo dos níveis de desenvolvimento da União Europeia,
se não apostasse no aumento da competitividade, no aumento da produção de bens que concorrem com a produção estrangeira».
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