CDS recorre ao Parlamento para travar TGV
Deputados entregaram um pedido de apreciação parlamentar do decreto-lei da ligação de alta velocidade. Mota Soares diz que ainda há tempo para «repensar» a obra
- PorRedacção RL
- 2010-05-04 08:07
O CDS-PP pede ao Governo que tenha bom senso e aguarde a decisão do Parlamento sobre a concessão do TGV Lisboa-Caia, a
28 de Maio, considerando que «ainda é o momento para repensar» a obra.
Os deputados democratas-cristãos entregaram
esta segunda-feira, no Parlamento, um pedido de apreciação parlamentar do decreto-lei n.º 33 A/2010, de Abril, que «aprova
as bases de concessão do projecto, construção, financiamento, manutenção e disponibilização» da concessão Poceirão-Caia da
ligação ferroviária de alta velocidade entre Lisboa e Madrid, escreve a Lusa.
Os motivos do CDS
O
líder parlamentar do CDS, Pedro Mota Soares, sublinha que actualmente «não há nenhuma obrigação contratual» assinada pelo
Estado português, existindo apenas «uma adjudicação provisória».
«Ainda é o momento de nós repensarmos se deve ser
feita ou não, nesta altura, neste quadro de dificuldades, a ligação entre Lisboa e Madrid», considera o CDS, que afirma que
esta apreciação parlamentar, agendada para dia 28, não pretende «discutir o mérito ou a bondade da obra, mas discutir a oportunidade
da ligação entre Lisboa e Madrid».
Mota Soares sublinhou que a dívida pública já ultrapassa os 100 por cento do PIB.
«Os contribuintes portugueses sabem o que isso custa: são os nossos impostos a pagar já os juros da dívida, que são muito
elevados, e é um encargo que está a impender sobre a juventude portuguesa», referiu o deputado.
Por outro lado, sublinhou
o líder parlamentar do CDS, as grandes obras, orçadas em 3.500 milhões de euros, «esgotam o crédito bancário disponível, dificultando
o acesso ao crédito das micro, pequenas e médias empresas», que são, «em Portugal, quem cria e quem mantém postos de trabalho».
Além
disso, para o CDS, os grandes projectos não vão contribuir para reduzir a taxa de desemprego: estas obras geram principalmente
«postos de trabalho muito pouco qualificados e que na maioria nem sequer são nacionais», classificou Mota Soares.
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