Crise: UE esbanja milhões em festas e luxos
Durão Barroso, comissários e outro pessoal gozam férias em destinos exóticos e compram presentes caros em tempo de... austeridade
- PorRedacção PGM
- 2011-06-02 16:11
Ao mesmo tempo que os países europeus andam a fechar os cordões à bolsa e a contar os tostões para cumprir a austeridade
imposta por Bruxelas, os membros da Comissão Europeia (CE) não se poupavam em despesas.
Festas, viagens em jactos
privados, limusines, hotéis de cinco estrelas e férias em destinos exóticos são apenas alguns exemplos dos luxos em que estes
altos responsáveis europeus gastavam o (nosso) dinheiro comunitário.
O «Daily Telegraph» publica uma longa reportagem,
onde discrimina as descobertas de uma investigação levada a cabo pelo Bureau of Investigative Journalism sobre os gastos de
Bruxelas. Conclusão: a CE gastou mais de 9 milhões de euros neste tipo de «mimos».
Entre 2006 e 2010, os comissários
gastaram 7,5 milhões de euros em viagens de jactos privados, a que a Comissão chama «táxis aéreos» e garante que «apenas foram
autorizados em circunstâncias excepcionais».
Muitos milhares de euros foram gastos em estadias em resorts de luxo,
em destinos exóticos como Papua Nova Guiné, Gana e Vietname. A CE garante que a despesa feita na Papua Nova Guiné se destinou
a formação para o seu pessoal. Numa ocasião, uma delegação de 44 membros voou para o resort de cinco estrelas Palm Garden
Resort no Vietname para um evento destinado a «facilitar a cooperação interna».
Durão Barroso «apanhado»
O
português José Manuel Durão Barroso, que preside à CE, também é visado neste relatório: terá gasto 28 mil euros numa estadia
de quatro noites no New York Peninsula Hotel em Setembro de 2009. Barroso ficou na unidade hoteleira, onde cada suite custa
780 euros por noite, com uma equipa de oito assistentes para assistir à Cimeira das Alterações Climáticas das Nações Unidas.
O valor, que incluía despesas com o aluguer de salas de reunião e equipamento, quase triplicou o limite de 275 euros por pessoa
por noite para acomodação em Nova Iorque fixado pelos regulamentos da Comissão para o seu pessoal.
Confrontada com
este facto, a Comissão considerou o gasto a mais «razoável», tendo em conta que o preço das estadias em Nova Iorque estava
inflacionado durante a cimeira.
Quase 75 mil euros numa festa em Amesterdão
Mais de 300 mil euros
foram aplicados em festas e cocktails, incluindo uma em Amesterdão, avaliada em 75 mil euros, que surge descrita como «uma
noite recheada de maravilhas como nenhuma outra».
A CE diz que o evento «contou com a presença de artistas e cientistas
de renome mundial, parte de uma iniciativa a nível europeu, envolvendo a Universidade de Oxford e o Museu de História Nacional
de Londres. O dinheiro gasto em bebidas destinou-se sobretudo a café e não chegou a 2 euros por participante».
Foram
contratadas orquestras de topo para tocar nas festas exclusivas e os oradores convidados eram mimados com presentes como botões
de punho, canetas de tinta permanente e jóias da famosa cadeia Tiffany. Em limusines e motoristas foram 118 mil euros.
Bruxelas
ainda pede aumento da sua dotação orçamental
Vários membros do Parlamento Europeu reagiram já às revelações,
feitas poucos dias depois de a Comissão ter exigido um aumento de 4,9% no seu orçamento, cujo dinheiro vem dos Estados membros,
ou seja, sai directamente do bolso dos contribuintes.
As revelações ganham uma gravidade maior tendo em conta as
dificuldades que vários países da União atravessam, com milhares de famílias castigadas pelo desemprego e pelas dificuldades
financeiras.
No Reino Unido, a reportagem do jornal britânico arrancou já várias reacções, a começar pelo ministro
para a Europa, para quem «a CE tem muito por onde poupar antes de vir pedir mais dinheiro». Já Bill Cash, Presidente do Comité
Europeu de Escrutínio na Câmara dos Comuns, diz-se «enojado. A Comissão actua como uma monarquia medieval e este é dinheiro
dos contribuintes que está claramente a ser esbanjado de uma forma ultrajante». Os responsáveis britânicos querem que o assunto
seja formalmente investigado.
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