500 maiores empresas do país duplicam lucros e fintam crise
Juntas representam 71,7% do PIB
- PorPaula Gonçalves Martins
- 2012-01-17 20:00
As 500 maiores empresas do país, segundo a lista publicada pela «Exame», mais que duplicaram os lucros em 2010, face a
2009. A Continental Mabor é a melhor empresa do ano e Alexandre Soares dos Santos recebe o troféu anual Excelência na Liderança,
segundo a revista.
No seu conjunto, as 500 companhias registaram lucros de 12,2 mil milhões de euros, um aumento
de 130,2%, em grande parte impulsionado pela venda da Vivo pela PT. «Mas, mesmo sem considerar esta operação, a expansão dos
lucros conjuntos das 500 M&M atingiu 27,8%, dando um pontapé na crise», escreve a «Exame».
O grupo vendeu também
mais 13,7% em 2010, revela o estudo «500 M&M», na sua 22ª edição. Este aglomerado de empresas, que representa 71,7% do Produto
Interno Bruto (PIB), facturou 124 mil milhões de euros no ano em causa. No ano de 2009, o grupo representava «apenas» 64,7%
da riqueza produzida no país.
O sector dos combustíveis continua a liderar, em termos de volume de vendas, representando
13% do total. Este sector registou um acréscimo de vendas de 20,79%. A Petrogal é a empresa que mais factura, seguida pela
EDP Serviço Universal e pela EDP Distribuição. Na quarta posição ficou o Modelo Continente e, em quinto, o Pingo Doce.
Também a rentabilidade das vendas (quociente entre resultado operacional e vendas) mais do que duplicou, passando de
6% em 2009 para 13,1%, em 2010. «Um valor que não encontra comparação na última década», revela a «Exame». A tendência foi
semelhante ao nível da rentabilidade do activo e do capital próprio.
As 500 M&M empregam 8,7% da população empregada
no país, o que ilustra bem a sua influência. Isto significa também que a rentabilidade melhorou sem redução do número de empregados.
No ano de 2010, o número global de funcionários atingiu os 432 mil, mais 30 mil que no ano anterior.
Relevante é
também o contributo das 500 M&M para os cofres públicos: 1,7 mil milhões de euros em 2010, mais 26% do que no ano anterior.
Estas empresas tiveram, no entanto, de se endividar mais: o endividamento subiu de 66,8 para 72,7%. «Os negócios
estão menos sustentáveis», escreve a revista. E o endividamento não é o único indicador que ilustra a maior vulnerabilidade
financeira: a solvabilidade (quociente entre capital próprio e passivo) voltou a diminuir, para 37,5%.
A liquidez
geral das 500 M&M desceu, ou seja, a sua capacidade para enfrentar compromissos financeiros de curto prazo voltou a cair.
A liquidez geral, que relaciona o activo circulante com o passivo circulante, passou de 127,5 para 81,4% em 2010.
No
que se refere a localização geográfica, mais de 70% das empresas têm as suas sedes na região de Lisboa e Vale do Tejo, seguindo-se
o Norte com 20% e a região Centro com 5,65%. Quanto à origem do capital, 57,6% são maioritariamente nacionais. São estrangeiras
42,4% das empresas presentes no ranking. Os países mais representados são a Espanha (9,4%), França (6%), EUA (5,2%) e Reino
Unido (2,6%).
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