Espanha «cumpre requisitos» para flexibilizar meta do défice
Comissário europeu admite que passar de 8 para 4,4% do défice num ano é «muito difícil»
- PorRedacção CPS
- 2012-02-23 10:52
O comissário europeu do Orçamento, Janusz Lewandowski, considerou esta quinta-feira que Espanha «cumpre os requisitos»
para conseguir que haja «mais tolerância e flexibilidade» nos objetivos do défice, sendo que o importante é chegar aos 3 por
cento em 2013.
«Todos sabemos que passar de 8 para 4,4% do défice é um exercício muito difícil num ano e não posso
dizer qual vai ser a decisão definitiva de Bruxelas mas sim posso dizer que o Governo espanhol tem a credibilidade necessária,
graças às suas reformas», disse em Madrid.
Lewandowski foi confrontado com o debate em Espanha sobre a possibilidade
de flexibilizar a meta do défice para este ano, que está inicialmente fixada em 4,4% mas que o Governo, segundo a imprensa
espanhola, pretendia ampliar em pelo menos um ponto.
Citando fontes do Governo, o jornal «El Pais» noticiou quarta-feira
que o executivo tem desenhada uma estratégia para negociar com Bruxelas uma alteração ao compromisso do défice para este ano,
para que possa ficar acima dos 5 por cento do PIB.
O jornal, que cita fontes do Governo, explica que o presidente
do Governo, Mariano Rajoy e o ministro da Economia, Luis de Guindos, deverão pedir formalmente a Bruxelas para «suavizar»
a meta do défice num prazo máximo de 10 dias.
Apesar do Governo espanhol insistir que está a trabalhar para cumprir
as metas atualmente impostas - um limite máximo de 4,4 por cento do PIB no défice deste ano - Madrid reconhece a dificuldade
a que obriga cumprir essa meta.
Rajoy promete cumprir
Em especial porque em 2011, ano em que ainda
governavam os socialistas, o défice terá tido um desvio de pelo menos dois pontos, para 8 por cento do PIB, face à meta acordada
com Bruxelas, de 6%.
Resolver esse desvio e cumprir os objetivos iniciais de redução de défice obrigaria a cortes
este ano de mais de 40 mil milhões de euros, uma meta complicada numa altura em que Espanha vive já com indicadores de recessão
económica e com o desemprego mais elevado da União Europeia.
Oficialmente Mariano Rajoy tem insistido que Madrid
«vai cumprir os objetivos de défice que se estipulem» mas o tema continua a suscitar debates entre o Governo e a oposição,
tendo o líder socialista Alfredo Pérez Rubalcaba defendido na reunião da semana passada com o primeiro-ministro uma alteração
às metas de défice.
Mesmo que a nova meta de défice seja cumprida o corte global este ano teria que ser de 30 mil
milhões de euros, dos quais cerca de 15 mil milhões estão já contidas num primeiro pacote aprovado por Rajoy e que inclui
reduções de gastos e aumentos de impostos.
Confrontado com esse debate, Janusz Lewandowski ¿ que repetiu várias vezes
que o objetivo é chegar aos 3 por cento em 2013 - destacou que os «esforços» de reforma do Governo de Mariano Rajoy «são reais,
não são fáceis e são muito viáveis».
A decisão final de Bruxelas poderá estar agora dependente das previsões da Comissão
Europeia (CE), divulgadas esta quinta-feira e que antecipam uma contração de pelo menos 1 por cento no PIB espanhol.
Tanto
o FMI como o Banco de Espanha preveem uma recessão este ano de 1,5 e de 1,7%, respetivamente.
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