FMI: ajuda tardia vai endurecer medidas
Medidas de austeridades poderiam ser mais brandas, caso o Governo tivesse recorrido a ajuda externa mais cedo
- PorRedacção JF
- 2011-04-14 13:47
«Não há boas notícias em relação ao que se vai pedir aos portugueses», sublinha Estela Barbot, a única conselheira portuguesa junto do Fundo Monetário Internacional, que
esta quinta-feira foi entrevistada na TVI.
Recusando entrar em detalhe nas medidas que sairão das negociações, Estela
Barbot considera que «é muito triste chegar a estas medidas muito violentas, que poderiam ter sido evitadas».
«Quando
pedimos ajuda, já as taxas de juro estavam insustentáveis» e, por isso, o momento que vivemos é de «inteira fragilidade».
«Se tivéssemos antecipado a ajuda, poderíamos ter evitado medidas tão duras».
A economista criticou ainda a forma
como o país desaproveitou a entrada no euro em 1999 para fazer reformas estruturais.
«Com a Revolução, vendemos as
reservas de ouro, depois recebemos fundos comunitários - e não houve um critério sério em relação à aplicação dos dinheiros
públicos - e agora é pedido a todos que apertem o cinto, e essa é a única hipótese: muito trabalho e inverter o paradigma».
Mas
as medidas austeras «não podem ser cegas» e não podem invalidar «condições para a criação de emprego». A conselheira do FMI
aponta aliás os erros do Estado português no que diz respeito às Pequenas e Médias Empresas (PME): «São responsáveis pela
maioria do emprego no país e não foram bem tratadas». É evidente que a crise financeira tem uma quota de responsabilidade
no momento que Portugal atravessa, mas, para Estela Barbot, apenas agravou «problemas estruturais», já existentes.
Daí
que Barbot insista em «medidas de reestruturação anti-cíclica», já que o país está a «ser posto em causa lá fora» e goza de
uma «credibilidade» em queda. À Agência Financeira, na passada terça-feira, e em exclusivo, a conselheira afirmou que
o Portugal é já visto lá fora como «um país de terceiro mundo».
«Temos 800 anos e as fronteiras mais antigas da Europa»,
recorda a economista, que espera que Portugal seja capaz de atravessar estas dificuldades.
Entretanto, a Finlândia está a ameaçar bloquear o apoio financeira a Portugal.
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