Economia

Europa preocupada com fracas exportações portuguesas

Jornal norte-americano escreve que existem semelhanças perigosas entre o caso grego e nacional

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A Europa está preocupada com algumas semelhanças entre o percurso de Portugal e da Grécia. Um dos factores que está a deixar os decisores políticos apreensivos é a pequena dimensão do sector exportador, escreve o «Wall Street Journal», acrescentando que esses factores podem fazer descarrilar o programa de assistência financeira de 78 mil milhões de euros.

Um falhanço de Portugal acrescentaria dúvidas sobre a eficácia da receita que tem sido usada contra a crise da dívida pública, que passa por rápidos cortes no défice orçamental e daria mais força aos argumentos de que esta receita está a minar a economia da região.

«Os portugueses estão a aplicar mais ou menos os truques do manual que lhes foi dado», disse um oficial da Zona Euro citado pelo jornal. «Mas talvez o manual esteja errado».

Um problema chave, tanto no caso grego como no português, é o pequeno sector exportador, que torna as suas economias particularmente sensíveis a cortes abruptos nos défices orçamentais, afirmam os economistas. Os investidores, por seu lado, estão cépticos, como se pode ver pelas taxas de juro cobradas pela dívida portuguesa no mercado secundário.

Ao contrário da Grécia, Portugal tem sido elogiado por estar a cumprir responsavelmente as exigências do programa. Apesar de apostarem nas reformas estruturais para tornar a economia mais competitiva, os responsáveis portugueses continuam a insistir na necessidade de reduzir rapidamente o desequilíbrio nas finanças públicas.
O resgate acordado com a troika parte do pressuposto de que Portugal será capaz de colocar 10 mil milhões de euros no mercado de dívida pública já em 2013. Os economistas têm dúvidas de que isso seja possível. Mas os responsáveis da Zona Euro deixaram claro que, se o regresso ao mercado não acontecer em 2013, apesar de Portugal cumprir tudo o que foi acordado, a ajuda pode ser estendida.

As exportações portuguesas representam apenas 25% da economia grega e 35% da economia nacional. Os valores comparam mal com o da Irlanda, por exemplo, onde as exportações valem 100% do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar do exigente programa de austeridade, a economia irlandesa deverá ter registado um crescimento no ano passado e o regresso ao mercado de crédito parece bem mais fácil.

Mas as baixas exportações da Grécia e Portugal resultam em economias que são mais sensíveis à austeridade porque não conseguem compensar com o aumento das exportações o rombo que as medidas causam no consumo e investimento.

A economia portuguesa não está a sofrer tanto com a austeridade como a Grécia (que registou uma contracção de 5,9% em 2011 e deverá cair mais de 7% este ano), mas espera-se uma contracção superior a 3% e o consumo privado vai piorar este ano.

A Grécia tem uma dívida maior que Portugal, em percentagem do PIB (159% vs 110%) mas o sector privado português está mais endividado. Os economistas temem que essa dívida acabe por pesar no sector público.

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