DSK sai do FMI mas recebe pensão vitalícia
Ex-director da instituição recebia salário anual de quase 430 mil dólares
- PorMarta Dhanis , em Nova Iorque, com VC
- 2011-05-20 09:19
[Notícia actualizada às 19h30]
Independentemente do desfecho do caso que envolve Dominique Strauss-Kahn, acusado
de tentativa de violação em Nova Iorque, o agora ex-senhor FMI vai receber uma pensão para o resto da vida.
Num esclarecimento
posterior, o FMI sublinhou que as estimativas iniciais foram empoladas [fala-se em 250 mil euros por ano] e que os pagamentos
anuais serão menores «nos anos subsequentes», sem contudo explicar qual será a redução nem a partir de quando.
Em
resposta por escrito à Agência Financeira, o fundo garante que, nos termos do contratos, Strauss-Kahn irá receber «muito
menos» que os 250.000 dólares, avançados pelos media.
À Agência Financeira, o Fundo Monetário Internacional
explicou que o contrato que DSK - como é conhecido em França - celebrou com a instituição em 2007, está escrito, preto no
branco, que, para além do que vai auferir no âmbito do Plano de Aposentadoria do Pessoal, recebe ainda, «para toda a vida,
um subsídio de reforma anual suplementar no valor igual à percentagem do pagamento total da pensão a receber, a cada ano».
Dominique Strauss-Kahn recebia 420.930 dólares por ano. Ora, com três anos de serviço, esse subsídio suplementar
dá direito ao pagamento de 60% do salário anual, o que faz com que o senhor FMI vá ganhar, pelo menos, 250 mil dólares por
ano. Se o mandato tivesse chegado aos quatro anos, teria até direito aos 70%.
«Depois de mais de um ano de serviço,
ou se vier a demitir-se» depois de ter estado «ao serviço [da instituição] por mais de dois anos» esse subsídio estaria sempre
garantido.
Assim, e embora o contrato que assinou com o FMI preveja os termos da pensão a receber em caso de morte
(aí a esposa de DSK teria direito a receber uma pensão) ou invalidez, não há nenhum apontamento sobre se haveria uma alteração
das condições da pensão em caso de crime e/ou em caso de renúncia antecipada.
A margem de manobra é grande:
«É nosso entendimento que, embora tenha sido nomeado para um mandato de cinco anos», Strauss-Kahn tem luz verde «para terminar
a sua ligação com o Fundo a qualquer momento. Espera-se, contudo, que, se desejar demitir-se, comunique com uma antecedência
razoável a sua decisão».
Ora, qualquer que seja o desfecho do escândalo sexual em que está envolvido, Strauss-Kahn
tem pelo menos a garantia de que vai ter uma pensão choruda para o resto da vida. Quer seja inocente, quer seja culpado.
Strauss-Kahn já saiu em liberdade sob fiança. O senhor FMI teve de pagar uma fiança no valor de um milhão
de dólares para aguardar em casa, com pulseira electrónica e um polícia armado à porta, pela próxima audiência no tribunal,
adiada para o próximo dia 6 de Junho.
Entretanto, não param de aumentar as especulações sobre o seu sucessor. O
português Durão Barroso foi um dos nomes apontados, mas a Comissão Europeia diz que isso é «um rumor sem fundamento».
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