Economia

Grécia: FMI insatisfeito com propostas de credores privados

Lagarde diz que credores ainda não fizeram proposta que os gregos pudessem aceitar. Perdão tem de ser «considerável»

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A directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, manifestou-se insatisfeita pelas propostas feitas até ao momento pelos credores da Grécia e destinadas a suprimir uma parte da dívida do país.

«As negociações estão a decorrer e muito claramente, até agora, ainda não foi possível aos gregos aceitarem a oferta dos credores», afirmou Lagarde à cadeia televisiva Bloomberg, que a entrevistou em Davos, na Suíça, à margem da edição 2012 do Fórum Económico Mundial.

«Mas estou satisfeita por ver que estão de regresso às negociações, para trabalharem intensamente», acrescentou.

Interrogada sobre o desfecho que pretende para estas negociações, Lagarde indicou que o FMI está «fixado» na ideia que a Grécia deve garantir no máximo uma dívida de 120% do PIB em 2012. Um objectivo partilhado pelo ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble, que também se exprimiu no mesmo sentido.

«Manifestamente, é necessário que (o perdão da dívida) seja considerável. Porque esta decisão não vai ser repetida», disse ainda Lagarde.

O comissário europeu para os Assuntos económicos, Olli Rehn, considerou em Davos que as negociações serão concluídas «sem dívida durante este fim-de-semana».

A directora-geral do FMI recusou referir-se a um novo empréstimo internacional à Grécia enquanto não forem concluídas as negociações em curso.

«Estamos actualmente no terreno, a trabalhar com as autoridades gregas, sobre os resultados do ano passado, do último trimestre. Não estamos profundamente optimistas sobre o que foi feito», sublinhou.

Grécia precisa de mais dinheiro

«Mas queremos elaborar um programa que funcione para o país. E que deverá ser acompanhado por um financiamento», acrescentou.

Lagarde aludiu ainda à necessidade de a Grécia «fazer muitas coisas, como ajustamentos estruturais, um reequilíbrio fiscal que deverá ser aplicado num período determinado. Outros poderão ter necessidade de contribuir, segundo parâmetros que são da sua responsabilidade, e não do FMI», disse ainda.

Em Maio de 2010, o FMI concedeu à Grécia um empréstimo de 30 mil milhões de euros, extensível até maio de 2013, tendo até ao momento disponibilizado dois terços do montante.

No entanto, a instituição financeira sediada em Washington tem manifestado a sua desilusão sobre a aplicação dos programas de reestruturação económica na Grécia, a continua a insistir para que Atenas aplique as reformas recomendadas.

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