Grécia: FMI insatisfeito com propostas de credores privados
Lagarde diz que credores ainda não fizeram proposta que os gregos pudessem aceitar. Perdão tem de ser «considerável»
- PorRedacção PGM
- 2012-01-27 20:03
A directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, manifestou-se insatisfeita pelas propostas
feitas até ao momento pelos credores da Grécia e destinadas a suprimir uma parte da dívida do país.
«As negociações
estão a decorrer e muito claramente, até agora, ainda não foi possível aos gregos aceitarem a oferta dos credores», afirmou
Lagarde à cadeia televisiva Bloomberg, que a entrevistou em Davos, na Suíça, à margem da edição 2012 do Fórum Económico Mundial.
«Mas estou satisfeita por ver que estão de regresso às negociações, para trabalharem intensamente», acrescentou.
Interrogada
sobre o desfecho que pretende para estas negociações, Lagarde indicou que o FMI está «fixado» na ideia que a Grécia deve garantir
no máximo uma dívida de 120% do PIB em 2012. Um objectivo partilhado pelo ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble,
que também se exprimiu no mesmo sentido.
«Manifestamente, é necessário que (o perdão da dívida) seja considerável.
Porque esta decisão não vai ser repetida», disse ainda Lagarde.
O comissário europeu para os Assuntos económicos,
Olli Rehn, considerou em Davos que as negociações serão concluídas «sem dívida durante este fim-de-semana».
A directora-geral
do FMI recusou referir-se a um novo empréstimo internacional à Grécia enquanto não forem concluídas as negociações em curso.
«Estamos actualmente no terreno, a trabalhar com as autoridades gregas, sobre os resultados do ano passado, do último
trimestre. Não estamos profundamente optimistas sobre o que foi feito», sublinhou.
Grécia precisa de mais dinheiro
«Mas
queremos elaborar um programa que funcione para o país. E que deverá ser acompanhado por um financiamento», acrescentou.
Lagarde
aludiu ainda à necessidade de a Grécia «fazer muitas coisas, como ajustamentos estruturais, um reequilíbrio fiscal que deverá
ser aplicado num período determinado. Outros poderão ter necessidade de contribuir, segundo parâmetros que são da sua responsabilidade,
e não do FMI», disse ainda.
Em Maio de 2010, o FMI concedeu à Grécia um empréstimo de 30 mil milhões de euros, extensível
até maio de 2013, tendo até ao momento disponibilizado dois terços do montante.
No entanto, a instituição financeira
sediada em Washington tem manifestado a sua desilusão sobre a aplicação dos programas de reestruturação económica na Grécia,
a continua a insistir para que Atenas aplique as reformas recomendadas.
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