Golfe pode voltar aos 6% de IVA. E ginásios?
Economia encaixa 500 milhões de euros com esta actividade. Taxa a 23% tem implicações na competitividade, turismo e exportações
- PorRedacção Vanessa Cruz
- 2011-03-14 13:15
O golfe entrava na lista das «actividades físicas e desportivas» que passaram a pagar 23% de IVA com a entrada em vigor
do Orçamento do Estado para este ano. À semelhança do que aconteceu com os ginásios. Mas quem joga golfe poderá ter mais sorte e ver a taxa a voltar para os 6%.
O
primeiro-ministro terá ficado sensibilizado com os argumentos do sector na Bolsa de Turismo de Lisboa, segundo o «Jornal de
Negócios». Isto porque os últimos dados conhecidos mostram que o golfe contribui com 500 milhões de euros para a economia
portuguesa e, como impulsiona o turismo, tem efeitos nas exportações.
À Agência Financeira, o fiscalista Tiago
Caiado Guerreiro explicou que «o turismo é uma exportação. As pessoas vêm a Portugal e deixam cá várias formas de dinheiro,
ajudam a equilibrar a balança comercial. E uma das formas de turismo mais importantes - e que ainda por cima marca pontos
por não ser sazonal - é o golfe. A actividade é praticada por pessoas com bastante capacidade económica, que gastam muito
dinheiro». E a economia agradece.
Ora, «ao aumentarem os custos da prática da actividade fazem com que a competitividade
do país em relação ao Norte de África ou a Espanha, por exemplo, fique comprometida» e o golfe é, para além disso, «muito
importante para o sector hoteleiro».
A lei prevê que «os espectáculos, provas e manifestações desportivas e outros
divertimentos públicos» tenham IVA a 6%. O que está em estudo agora é a inclusão do golfe na categoria de «provas» e não de
«actividades físicas e desportivas». Ou seja, proceder-se-á a uma alteração da interpretação da lei. É «uma forma de dar
a volta, um subterfúgio», diz Tiago Caiado Guerreiro.
O problema, aponta, é que «não há política fiscal em Portugal.
São um bando de idiotas». Para este fiscalista, o Governo já devia ter percebido há muito que ao taxar actividades como o
golfe a 23% estaria a roubar competitividade à economia e às exportações. «Não há uma explicação racional para estas
coisas. Isto de se voltar a taxar o golfe a 6% é um recuo sobre uma coisa que foi feita em cima do joelho».
E
os ginásios, em que ficamos?
A subida do IVA para os ginásios causou polémica. Tiago Caiado Guerreiro também
é contra a taxa a 23% para o sector. «É claro que a actividade física é tão importante como a alimentação. Não concordo com
o IVA a 23% nos ginásios nem, por exemplo, no leite dos bebés. É imoral. Só que os bebés ainda não têm capacidade reivindicativa...».
No entanto, o fiscalista considera que «a subida do IVA para os ginásios é uma medida de curto prazo para aumentar
a receita» e que não está em causa «uma perspectiva de equidade e nem a União Europeia se mete nisso. É algo que tem só a
ver com a receita». Daí estar em cima da mesa reduzir o IVA para o golfe, porque com um imposto mais baixo não se perde em
competitividade face a outros países onde a actividade também dá louros à economia.
De qualquer modo, o caminho
não é taxar, mas sim cortar. Tiago Caiado Guerreiro esclarece: «Cortar na frota automóvel, nas despesas correntes dos
ministérios, nas fundações e institutos que não servem para nada, nas reformas milionárias de pessoas que só trabalharam três
ou quatro anos». No fundo, «cortar desperdícios e despesas e não aumentar impostos».
- 08:22Transportes: Governo mostra à troika soluções para travar dívida
- 08:04Greve na CP: 44% dos comboios suprimidos até às 08h00
- 07:53Cavaco convicto de que Portugal vai superar a crise
- 03:00Países em vias de desenvolvimento crescem 8,2%
- 03:00Timor-Leste: receitas do petróleo vão cair este ano
- 01:10Veja as capas dos jornais de hoje
- 21:39Morgan Stanley defraudou expectativas na entrada do Facebook em bolsa
- 21:33Quase 150 mil com prestações da casa em atraso
- 21:16Roubini: Cazaquistão será um motor da economia mundial
- 21:09Disciplina orçamental sem crescimento «é insustentável»
- 20:59Certificados de aforro perdem mais de 226 milhões
- 20:53Empresa propociona trabalho a desempregados
- 20:51Greve da NAV cancela voos e altera horários
- 20:20Quer uma «oportunidade»? UE ajuda 5 mil a encontrar emprego
- 19:39Repsol mais perto de descobrir petróleo no Algarve
- 19:18Depósitos: Portugal contraria tendência de queda
- 19:09EDP vai investir 269 milhões no Brasil até 2015
- 18:26Relatório sobre Portela+1 entregue até final de maio
- 18:08QREN: nova linha de 500 milhões
- 18:06Transportes: o setor onde há mais conflitos laborais
- Mais últimas