Aumento do IVA «empurra» inflação para 3,5% em Janeiro
Executivo estima que este ano a taxa de inflação atinja os 3,3 por cento
- PorRedacção LF
- 2012-02-10 10:26
A taxa de inflação em Janeiro foi 3,5 por cento, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE),
que estima em 1,1 por cento o «impacto mecânico» das alterações nos escalões do IVA.
Em Dezembro, a taxa de variação
homóloga (ou seja, comparando com o mesmo mês do ano anterior) do Índice de Preços no Consumidor (IPC) foi 3,6 por cento.
O Governo prevê que em 2012 a taxa de inflação atinja os 3,3 por cento.
A variação em cadeia (isto é, relativa
ao mês anterior) dos preços em Janeiro foi 0,5 por cento, segundo o INE.
Este aumento foi «influenciado pelas alterações
no imposto sobre o valor acrescentado».
O Governo determinou a passagem de uma gama alargada de produtos das taxas
reduzida (6 por cento) ou média (13 por cento) para a taxa máxima (23 por cento) a partir do início do ano (valores para o
continente ¿ também houve mudanças na Madeira e nos Açores, onde as taxas são inferiores).
Um dos sectores mais
afectados foi a restauração. O impacto do aumento do IVA neste sector já foi significativo em Janeiro, com a classe de produtos
«restaurantes e hotéis» a registar uma variação mensal de 2,5 por cento.
Num «exercício de natureza puramente mecânica»,
o INE calculou o efeito da mudança nas taxas do IVA: um impacto de 1,1 por cento sobre os preços.
O instituto nota
contudo que «as respostas dos mercados são condicionadas por vários factores», e que esta estimativa serve apenas como «referência»,
já que parte do impacto do aumento do imposto pode ser «acomodada nas margens de comercialização».
Apesar do aumento
do IVA, a classe de produtos que mais pressionou a subida dos preços em Janeiro foi a dos combustíveis e lubrificantes.
A
inflação subjacente ¿ excluindo os produtos energéticos e os alimentos não transformados ¿ situou-se numa taxa homóloga de
2,1 por cento.
A taxa de inflação de 3,5 por cento representa uma ligeira descida (menos 0,1 pontos percentuais)
relativamente ao mês anterior.
Essa tendência é coerente com as expectativas do Governo e das instituições económicas
internacionais. As projecções para 2012 apontam para que, apesar da crise económica e da diminuição do consumo, o efeito dos
aumentos fiscais resulte numa taxa de inflação relativamente elevada (acima dos três por cento).
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