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Pão volta a aumentar até 10% este ano

O preço do pão deve voltar a aumentar, ainda este ano, entre 8 a 10 por cento.

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O aumento dos custos, como os combustíveis e as taxas de juro, bem como o aumento do trigo a nível mundial são as principais causas.

O presidente da Associação do Comércio e Indústria da Panificação (ACIP), Carlos Alberto, garantiu que «o preço do pão deve voltar a aumentar este ano, entre os 8 a 10%», até porque a crise que se faz sentir no sector é cada vez mais alarmante.

«As principais causas deste aumento estão relacionadas com o preço do dinheiro, dos combustíveis, que infligem no preço das matérias-primas» acrescentando que «o aumento da energia e os elevados investimentos» são factores que evidenciam cada vez mais o estado «preocupante» do sector.

O mesmo responsável vai mais à frente e assegura que esta é a única forma de impedir as dificuldades sentidas pelos panificadores, «alguns que já se viram obrigados a encerrar as suas casas».

Sector sente a falta de investimento em marketing

«Muitas empresas estão a fechar e prevê-se que muitas mais encerrem até ao final do ano», disse Carlos Alberto, que não quis adiantar números para já.

Mas há mais. Para o presidente da ACIP este fenómeno não se sente apenas a nível nacional: «É uma factor que tem vindo a acompanhar a Europa toda», apesar de ser mais evidente em Portugal.

A falta de investimento em Marketing também surge como um motivo essencial, isto porque «a indústria é prejudicada porque há falta de dinheiro para investir» a este nível.

Já a Associação de Industriais de Panificação do Norte (AIPAN) é mais cautelosa, dizendo que, para já, «não há indicações neste sentido» na zona Norte.

«O preço do pão é livre» e os associados praticam «o preço que entendem», referiu fonte oficial da AIPAN à «Agência Financeira», acrescentando ainda que «no Norte praticam-se preços dos 4 cêntimos até aos 11 cêntimos».

A «Agência Financeira» tentou ainda contactar a Associação dos Industriais de Panificação de Lisboa, mas até ao momento ainda não foi possível obter um comentário.

Trigo tem negociado cerca de 20% acima da campanha anterior

Uma análise elaborada pela «HBR Nolimite», tendo em conta as transacções da Bolsa de Paris, revela que o trigo tem estado a negociar, a preços da próxima campanha, com valores 20% mais caros que a campanha anterior.

«Também nunca os stocks estiveram tão baixos na Europa, dão apenas para dois meses de consumo, o que leva a uma situação de aumento do preço do pão a curto prazo. Já em Setembro deve aumentar entre 3 e 5% e, no próximo ano, este acréscimo pode ser mais elevado. Um problema que preocupa os profissionais do sector, mas que terá também reflexo directo nas bolsas dos consumidores», referem numa nota enviada às redacções.

E acrescentam: «as condições climatéricas, uma maior seca, estão a afectar directamente quatro grandes zonas produtoras, Norte de África, Ucrânia, Rússia e Austrália, prevendo-se que em 2007 as produções sejam inferiores a 2006».

A isto juntam-se dois factores de grande importância. Por um lado, a canalização de produção de trigo para os bio-combustíveis: «prevê-se que em 2009 este valor chegue aos 15 milhões de toneladas», e por outro, «o aumento da procura na China e na Índia, dois mercados que passam por mudanças radicais de consumo».

Assim, concluem que em Portugal, as consequências também se começam a sentir. «As farinhas estão a subir de preço lentamente e de forma quase «escondida», mas os principais operadores não querem levantar o problema.

Isto resulta de uma forte concorrência entre eles, e na verdade, ninguém quer dar o primeiro passo para explicar algo que é inevitável. «Esperam estes que alguém fique com o ónus do aumento, para depois poderem acompanhar os preços», consideram.

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