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Imigrantes de luxo abandonam Portugal

Falta de cuidados de saúde aos idosos e aumento do custo de vida motivam saídas

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2007 foi o ano, dos últimos 20, em que mais imigrantes chamados de luxo, abandonaram Portugal. São estrangeiros vindos do Norte da Europa, nomeadamente do Reino Unido, com elevado poder de compra, que procuram o clima quente sobretudo das praias algarvias para viver.

Imigrantes de luxo em Portugal compram no Lidl e andam de Mercedes

De acordo com estimativas do «The Portugal News», em 2007 seriam cerca de 260 mil os residentes em Portugal com esta origem, mais 5% do que em 2006. Metade tem estatuto de residente permanente.

Segundo um estudo levado a cabo por aquele jornal, os imigrantes nórdicos vêem vantagens na abundância de transportadoras aéreas low-cost a voarem para Portugal. No entanto, no último ano, sentiram-se impelidos a deixar o País devido ao aumento do custo de vida, à falta de lares de terceira idade especializados e também devido à qualidade dos cuidados de saúde que Portugal tem com as gerações mais idosas.

Hipermercados portugueses mais caros que ingleses

«O que inicialmente atraiu os estrangeiros a mudarem-se para Portugal, nomeadamente para o Algarve, nos anos 70 e 80 foi o baixo custo de vida comparando com Inglaterra. Actualmente, o custo de vida do dia-a-dia destes dois países já está muito aproximado», revela o estudo, acrescentando que «mesmo assim, o valor das propriedades nas cidades do Reino Unido continua significativamente mais elevado. As boas valorizações do mercado imobiliário em Portugal estão a tornar a venda de propriedades e o retorno à Europa do Norte uma opção viável para os mais idosos».

O «The Portugal News» preparou um cesto típico de compras e comparou os preços dos produtos entre os hipermercados Continente em Portugal e os hipermercados Tesco em Inglaterra. Contas feitas, o custo total do cesto em Inglaterra ficou nos 43,48 euros, mais barato que os 46,90 euros atingidos em Portugal.

Assim, «mudar-se para Portugal passou a ser uma decisão de estilo de vida e não uma decisão relacionada com o custo de vida», refere o estudo. «Esta situação mudou o perfil do estrangeiro da Europa do Norte que escolhe Portugal. Tem um grande poder de compra. Apreciam a segurança do nosso País, bem como o clima e hospitalidade», adianta.

Portugal, como a maioria dos países mediterrânicos, tende a responsabilizar a família pelos cuidados de saúde dos mais velhos. Quando não se tem familiares em Portugal, isto representa um problema. Os cuidados de saúde provenientes do Estado português ainda não estão tão desenvolvidos como os da Europa do Norte, o que está também a motivar os estrangeiros a abandonarem o nosso País.

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