«Orçamento é uma mulher honesta que se prostitui mais tarde»
Ex-ministro das Finanças diz que alegadas «almofadas» servem para tapar buracos que já se sabe que vão aparecer
- PorRedacção PGM
- 2012-01-26 21:46
O ex-governador do Banco de Portugal Jacinto Nunes defende que, ao contrário do que tem sido acusado, o Governo não foi
longe de mais nas medidas de austeridade, ultrapassando o que foi exigido ao país pela troika. Para o economista, a «almofada»
criada no Orçamento pelo ministro das Finanças serve para tapar buracos, que é certo que vão aparecer.
«(O Governo)
não está a ir longe de mais», alegou, em entrevista ao «Jornal das 8» da TVI.
«Não há almofada nenhuma, a almofada
é a compensação de uma certeza, de que o Orçamento não se cumpre rigorosamente», explicou, ilustrando que «o Orçamento é uma
mulher honesta que se prostitui mais tarde».
No entanto, o ex-ministro das Finanças avisa que o espaço para mais
medidas de austeridade começa a ser «muito curto», nomeadamente em termos fiscais. «Nos impostos estamos no limite», afirma,
explicando que estamos num ponto em que, se houver mais aumentos, a receita fiscal começa a cair.
«Mas ainda há muitas
gorduras para atacar», garante. Por exemplo, «nos institutos e empresas públicas» ou até «nas fundações», onde destaca as
«muitas despesas administrativas».
No que se refere ao resgate externo, Jacinto Nunes diz que precisamos de mais um ano e 30 mil milhões e, sobre o corte de subsídiosna função pública, acredita que pode manter-se até 2014, inclusive.
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