Economia

«Orçamento é uma mulher honesta que se prostitui mais tarde»

Ex-ministro das Finanças diz que alegadas «almofadas» servem para tapar buracos que já se sabe que vão aparecer

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O ex-governador do Banco de Portugal Jacinto Nunes defende que, ao contrário do que tem sido acusado, o Governo não foi longe de mais nas medidas de austeridade, ultrapassando o que foi exigido ao país pela troika. Para o economista, a «almofada» criada no Orçamento pelo ministro das Finanças serve para tapar buracos, que é certo que vão aparecer.

«(O Governo) não está a ir longe de mais», alegou, em entrevista ao «Jornal das 8» da TVI.

«Não há almofada nenhuma, a almofada é a compensação de uma certeza, de que o Orçamento não se cumpre rigorosamente», explicou, ilustrando que «o Orçamento é uma mulher honesta que se prostitui mais tarde».

No entanto, o ex-ministro das Finanças avisa que o espaço para mais medidas de austeridade começa a ser «muito curto», nomeadamente em termos fiscais. «Nos impostos estamos no limite», afirma, explicando que estamos num ponto em que, se houver mais aumentos, a receita fiscal começa a cair.

«Mas ainda há muitas gorduras para atacar», garante. Por exemplo, «nos institutos e empresas públicas» ou até «nas fundações», onde destaca as «muitas despesas administrativas».

No que se refere ao resgate externo, Jacinto Nunes diz que precisamos de mais um ano e 30 mil milhões e, sobre o corte de subsídiosna função pública, acredita que pode manter-se até 2014, inclusive.

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