Economia

«Tudo aconteceu muito mais rápido do que eu estava à espera»

José Sócrates reafirmou, em entrevista à TVI, que fez o pedido de ajuda externa «contrariado» e negou as informações sobre o pagamento do subsídio de férias e de Natal em títulos do Tesouro

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O primeiro-ministro José Sócrates admitiu, esta terça-feira, em entrevista à TVI, que as alterações às condições económico-financeiras de Portugal o obrigaram a fazer o pedido de ajuda externa. Fez esse pedido «contrariado» e «não foi um dia feliz» na sua vida política.

«Se alguma coisa aconteceu neste período foi que aconteceu muito mais rápido do que eu estava à espera», admitiu, em entrevista conduzida por Judite de Sousa.

«Sempre disse que o pedido de ajuda era um pedido de último recurso. (¿) Fiz o meu melhor para que não estivéssemos nesta situação. Pedir ajuda externa e sujeitar o país a um plano que nos é imposto traz consequências. A primeira dessas consequências é de reputação: vai demorar voltar aos mercados», sublinhou.

Defendeu que seria preferível pedir ajuda ao exterior apenas depois das eleições, de forma que as negociações que agora decorrem fossem feitas «já com um Governo legitimado».

José Sócrates defendeu que as negociações com a «troika» se façam com descrição e negou algumas das informações que têm sido tornadas públicas. Nomeadamente no que toca à possibilidade de o pagamento dos subsídios de férias e de Natal serem pagos em títulos do Tesouro. «Tudo o que tem vindo nos jornais sobre essa matéria tem sido pura especulação. Desminto que tudo o que tem vindo nos jornais seja verdade», disse.

O primeiro-ministro e líder do PS admitiu esperar que o plano que está a ser negociado com as entidades externas «seja o mais próximo possível do PEC4» e que espera que as medidas que dele saiam não sejam mais gravosas que aquelas que tinham sido propostas.

Sócrates voltou a culpar o chumbo do PEC4 pela situação que o país atravessa e continuou a defender que «podíamos ter evitado esta situação». «A crise política e a rejeição do PEC é que nos arrastou para esta situação», reafirmou.

Quanto ao valor da ajuda a pedir, Sócrates negou que se tenha já chegado ao valor de 80 mil milhões. «Não sei onde foram buscar esse número. Acho que toda a gente se deita a adivinhar sobre essa matéria e as negociações estão ainda a decorrer», alertou. A estimativa foi avançada pelo presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, no passado dia 8 de Abril, mas foi apenas a primeira, e avançada ainda antes do início das negociações com a «troika».

O primeiro-ministro negou ainda qualquer diferendo com o ministro das Finanças e garantiu que o pedido de ajuda externa foi concertado com Teixeira dos Santos, desmentindo assim que tenha sido o ministro a forçar o pedido de resgate.

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