Krugman: cura dos EUA para a dívida agrava doença
Nobel compara os que exigem cortes na despesa aos médicos medievais que sangravam pacientes para os curar e só os deixavam piores
- PorRedacção PGM
- 2011-08-01 16:17
O economista Paul Krugman considera que a solução encontrada para a dívida norte-americana é «desastrosa».
O Nobel
da Economia escreveu ontem, na sua coluna no «The New York Times», depois do anúncio preliminar do acordo, que «um acordo
para aumentar o tecto da dívida está a ser delineado. Se ele for para a frente, muitos críticos e comentadores irão declarar
que se evitou o desastre. Mas eles estarão enganados», avisou.
Para o economista, o acordo é, em si mesmo, «um desastre»,
porque vai «deteriorar uma economia já de si deprimida» e piorar o problema da dívida norte-americana de longo prazo».
Paul
Krugman deixa palavras duras aos políticos, dizendo que o acordo veio «demonstrar que a extorsão política funciona e que não
acarreta custos políticos», além de levar os EUA para um percurso «a caminho do estatuto de República das Bananas».
O
economista não vê grande melhoria na economia norte-americana para os próximos tempos: «Continuará deprimida (quase de certeza)
até ao final do próximo ano e provavelmente em 2013». E neste contexto, avisa, «o pior que se pode fazer é reduzir a despesa
do Governo, que só vai deprimi-la ainda mais».
O Nobel refuta as teorias que dizem que medidas orçamentais duras
vão restituir a confiança nos agentes económicos e levá-los a consumir mais. «Não funciona dessa maneira, algo que vários
estudos históricos já confirmaram».
«Reduzir a despesa nem sequer vai ajudar muito em termos orçamentais», porque
as taxas de juro estão muito baixas, o que reduz eventuais poupanças de juros no futuro, e porque deprimir a economia agora
também pressiona o crescimento no futuro e, consequentemente, as receitas.
Krugman conclui comparando os que pedem
agora cortes de despesa aos «médicos medievais, que sangravam os doentes para os tratar, deixando-os ainda piores».
Já
a Casa Branca, admite que o acordo não é perfeito, mas diz que traz algum alívio.
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