Krugman: salários em Portugal devem baixar
Rendimentos devem cair até 30 por cento face à Alemanha, defende Nobel de Economia que visita Lisboa segunda-feira
- PorRedacção RL
- 2012-02-26 12:12
Paul Krugman vê Portugal como o país mais difuso do euro, duvida que consiga pagar a sua dívida e defende que os salários
dos portugueses têm de cair até 30 por cento face à Alemanha, sintetiza a Lusa através dos vários textos escritos pelo Nobel
que visita Lisboa esta segunda-feira.
Na sua coluna no «New York Times», a 23 de maio de 2011, o economista norte-americano
escrevia que «é agora claro que a Grécia, Irlanda e Portugal não conseguem e não vão pagar as suas dívidas por inteiro», ou
seja, a Europa teria de estar preparada para uma redução destes montantes.
Um ano antes, a 17 de maio de 2010, Krugman
frisava no seu blogue, também no diário nova-iorquino, que «neste momento, os salários na Grécia/Espanha/Portugal/Letónia/Estónia,
etc. têm de cair algo como 20 a 30 por cento em relação aos salários na Alemanha».
No ano passado, o Nobel da Economia
de 2008, que vai receber na segunda-feira o doutoramento honoris causa pela Universidade de Lisboa, Universidade Técnica
de Lisboa e Universidade Nova de Lisboa, acreditava que Portugal seria a próxima peça a cair no dominó da zona euro.
«Esperava
que não, principalmente ¿ claro ¿ por causa dos portugueses (...), mas também egoisticamente porque é, de longe, o mais difuso
dos países periféricos com problemas».
O que significa que a história portuguesa é «mais difícil de contar do que
a da Grécia, Espanha e Irlanda», porque Portugal «não estava assim tão mal em termos orçamentais, mas também não teve um
surto de preços imobiliários. Houve muito crédito ao privado, mas não é fácil explicar exatamente porquê».
«O
que é claro, porém, é que, nesta altura, Portugal enfrenta problemas de ajustamento semelhantes aos espanhóis e, possivelmente,
piores. Os custos laborais estão desalinhados com o resto da Zona Euro e adequá-los vai necessitar uma desvalorização interna
dolorosa, ou seja, deflação», acrescentava Krugman.
O economista estará bastante familiarizado com a realidade nacional,
uma vez que foi em Lisboa que começou a trabalhar em termos de política económica, em 1976.
Num discurso na Universidade
de Princeton, Krugman lembrava as «sábias palavras» do governador do Banco de Portugal na altura, Silva Lopes: «Quando
eu tenho seis meses de reservas, eu terei zero reservas», numa referência à quebra de reservas que o banco central enfrentou
após o 25 de abril.
Numa página sobre «incidentes» da sua carreira, Krugman esclarece: «O que aprendi dessa experiência
foi o poder de ideias económicas muito simples e, simultaneamente, a inutilidade de teorias que não podem ter conteúdo operacional.
Em particular, a minha experiência num país onde era um enorme desafio até decidir se a produção estava a aumentar ou a cair
deu-me uma alergia crónica a modelos que dizem que uma política potencialmente útil existe sem darem uma única forma de determinar
que política é essa».
Profundo crítico das medidas de austeridade implementadas pelos governos europeus face
à crise da dívida soberana que tem assolado a UE, com o seu começo na Grécia, Krugman alertava, em junho de 2010, para que
as mesmas soluções não viessem a ser adotadas nos Estados Unidos: «Pessoal, isto está a ficar feio e os EUA precisam de pensar
como se isolarem do masoquismo europeu».
«É tentador fazer psicanálise aqui e notar que se se fizer de conta de que
isto é tudo causado por libertinagem orçamental, o problema parece solucionável com um bocado mais de disciplina, mas se admitirmos
que os problemas da zona ótima do euro são a chave da situação, começamos a questionar-nos se a moeda única faz realmente
sentido», escrevia Krugman em 2010.
Crítico da moeda única por falta de condições da União Europeia para a sua aplicação,
Paul Krugman não defende a rutura do euro, mas acredita que «a Europa está forçada a viver com a sua criação e precisa de
se mexer tão rápido quanto possível para o tipo de integração orçamental e laboral que permitam que se torne funcional»
Últimas notícias
Rendas excessivas: EDP sai ilesa do corte, preços disparam
Transportes: Governo mostra à troika soluções para travar dívida
Cavaco convicto de que Portugal vai superar a crise
Países em vias de desenvolvimento crescem 8,2%
Timor-Leste: receitas do petróleo vão cair este ano
- 10:00Rendas excessivas: EDP sai ilesa do corte, preços disparam
- 09:57Transportes: 35% não pagam, fraude de 5,5 milhões
- 09:12Bolsas afundam: temem que Grécia saia do euro em breve
- 08:54Ministros da Economia e Agricultura são «grande deceção»
- 08:36Merkel está a ficar isolada: «Não deve recusar euro-obrigações»
- 08:22Transportes: Governo mostra à troika soluções para travar dívida
- 08:04Greve na CP: 44% dos comboios suprimidos até às 08h00
- 07:53Cavaco convicto de que Portugal vai superar a crise
- 03:00Países em vias de desenvolvimento crescem 8,2%
- 03:00Timor-Leste: receitas do petróleo vão cair este ano
- 01:10Veja as capas dos jornais de hoje
- 21:39Morgan Stanley defraudou expectativas na entrada do Facebook em bolsa
- 21:33Quase 150 mil com prestações da casa em atraso
- 21:16Roubini: Cazaquistão será um motor da economia mundial
- 21:09Disciplina orçamental sem crescimento «é insustentável»
- 20:59Certificados de aforro perdem mais de 226 milhões
- 20:53Empresa propociona trabalho a desempregados
- 20:51Greve da NAV cancela voos e altera horários
- 20:20Quer uma «oportunidade»? UE ajuda 5 mil a encontrar emprego
- 19:39Repsol mais perto de descobrir petróleo no Algarve
- Mais últimas