«O Governo merecia uma sapatada»
Economista diz que o Ministério das Finanças já não é credível e parece «uma barraca de farturas»
- PorRedacção PGM
- 2010-10-10 12:08
O economista Medina Carreira não está pelos ajustes com o actual Governo. Em entrevista ao «Diário de Notícias», diz que
o primeiro-ministro «já não tem crédito» e que o executivo «merecia uma sapatada».
«Há uns dois anos que não acredito
naquilo que o Ministério das Finanças», por isso, acha que faz todo o sentido uma agência independente para controlar as contas
públicas, como sugere o Banco de Portugal. «O Ministério das Finanças não merece crédito! Aquilo já é considerado uma barraca
de farturas».
Acredita que o Governo foi «coagido» a tomar as mais recentes medidas de austeridade. «Nós temos, no
chamado Estado social, qualquer coisa como seis milhões de portugueses. Tocar em salários, pensões, subsídios de doença ou
de desemprego é uma tragédia, porque são seis milhões de portugueses que se põem de pé. Este último pacote... Não sei de quem
foi exigência, se da senhora Merkel ou não, mas o Governo terá agido também sob uma pressão muito forte, senão não teria ido
aos salários».
«O Governo não tem estratégia nenhuma na cabeça»
Não tem dúvidas de que «não há estratégia
nenhuma! O primeiro-ministro não tem estratégia nenhuma na cabeça senão andar a fazer espectáculo e ir conciliando as circunstâncias
para ver se vai durando. Aliás, este primeiro-ministro foi realmente uma desgraça para o País: nem tocou nos aspectos financeiros,
nem tocou nos aspectos económicos».
Ainda assim, admite, não há outro remédio senão deixar passar o Orçamento do
Estado (OE) para 2011, para acalmar os mercados. Passos Coelho deve abster-se explicando as razões ao País.
Pacotes
de austeridade: ainda vêm aí mais
O ex-ministro das Finanças de Mário Soares ganhou notoriedade pública mais
recentemente, fazendo a denúncia do crescente endividamento do País. Durante muito tempo foi apontado como um «catastrofista»,
mas o tempo deu-lhe razão.
Medina Carreira acredita que virão aí ainda mais pacotes de austeridade. «Quando chegarmos
a 2013, saem as Scut e começam a entrar as parcerias público-privadas no Orçamento. Mil milhões, mil e seiscentos milhões,
mil e quinhentos milhões todos os anos! Depois de termos isto arrumado, aparece a desarrumação. Nessa altura, é quase com
certeza necessário outras medidas».
Cortar nas piscinas e redondéis a direito
Uma das áreas em que
o economista diz ser preciso corar o quanto antes é na despesa das autarquias. «Por exemplo, o mapa autárquico de mil oitocentos
e tal não presta. Temos 30% de municípios com menos de dez mil habitantes... O que pagam de impostos não dá para o presidente
da câmara, o chauffeur e a secretária! Tem de se reorganizar o mapa autárquico. 4.500 freguesias é um disparate! E, no mapa
autárquico, sabe porque não se mexe? Porque há presidentes de câmara que têm de ir tratar da vida para outro sítio. Não se
faz nada que mexa em interesses!», diz.
Nas empresas municipais, a palavra de ordem é «suprimir a eito». «A gente
viveu sem elas até há cinco anos! O que houve foi um esperto que descobriu que aquilo era maneira de fugir com o dinheiro
às contas. Endividam-se pelas empresas municipais, e não se endividam pelas câmaras. Se estivesse nas finanças, no dia em
que aparecesse a primeira, não deixava andar nem mais uma! Acabar com piscinas, redondéis, coisas onde se gasta dinheiro.
Dizem: "Mas isso fez parte do meu programa." "Ai fez? E ganhou? Vá pedir aos seus votantes que lhe dêem dinheiro para fazer
isso!" Porque eles querem cumprir os programas assumindo dinheiros que não têm».
Medina Carreira não quer falar
em corte de apoios sociais, mas «há coisas que deve ser o ministro das Finanças a autorizar. Os carros devem ser modelo médio
para ministros, e têm de durar cinco ou seis anos. Quando fui ministro, tinha um carro recuperado da sucata da alfândega de
Lisboa».
Últimas notícias
Rendas excessivas: EDP sai ilesa do corte, preços disparam
Transportes: 35% não pagam, fraude de 5,5 milhões
Transportes: Governo mostra à troika soluções para travar dívida
Cavaco convicto de que Portugal vai superar a crise
Países em vias de desenvolvimento crescem 8,2%
- 10:00Rendas excessivas: EDP sai ilesa do corte, preços disparam
- 09:57Transportes: 35% não pagam, fraude de 5,5 milhões
- 09:12Bolsas afundam: temem que Grécia saia do euro em breve
- 08:54Ministros da Economia e Agricultura são «grande deceção»
- 08:36Merkel está a ficar isolada: «Não deve recusar euro-obrigações»
- 08:22Transportes: Governo mostra à troika soluções para travar dívida
- 08:04Greve na CP: 44% dos comboios suprimidos até às 08h00
- 07:53Cavaco convicto de que Portugal vai superar a crise
- 03:00Países em vias de desenvolvimento crescem 8,2%
- 03:00Timor-Leste: receitas do petróleo vão cair este ano
- 01:10Veja as capas dos jornais de hoje
- 21:39Morgan Stanley defraudou expectativas na entrada do Facebook em bolsa
- 21:33Quase 150 mil com prestações da casa em atraso
- 21:16Roubini: Cazaquistão será um motor da economia mundial
- 21:09Disciplina orçamental sem crescimento «é insustentável»
- 20:59Certificados de aforro perdem mais de 226 milhões
- 20:53Empresa propociona trabalho a desempregados
- 20:51Greve da NAV cancela voos e altera horários
- 20:20Quer uma «oportunidade»? UE ajuda 5 mil a encontrar emprego
- 19:39Repsol mais perto de descobrir petróleo no Algarve
- Mais últimas