Ministro: «Agora é mais difícil evitar ajuda externa»
Teixeira dos Santos não vê a bancarrota como um risco sério, mas já não é tão peremptório ao afastar um pedido de ajuda externa
- PorPaula Gonçalves Martins
- 2011-03-31 21:48
O ministro das Finanças admite que é cada vez mais difícil evitar um pedido de resgate internacional. Em entrevista à TVI,
Fernando Teixeira dos Santos, que sempre disse que o país resistiria à crise sem ter de estender a mão ao Fundo Monetário
Internacional (FMI), diz que já não está tão seguro disso.
«Neste momento não tenho essa confiança», admitiu, explicando
que, nos últimos dias, «tudo se agravou», com os sucessivos cortes de ratings, a escalada vertiginosa dos juros da
dívida e a relutância acrescida dos mercados em emprestarem dinheiro ao país. «As dificuldades são maiores e tudo é mais difícil»,
concluiu.
Ou seja, o pedido de ajuda está mais próximo, resta saber quem deve fazê-lo, já que o Governo considera
não ter legitimidade
para isso, por ser um Governo de gestão. Para Teixeira dos Santos, a entidade mais indicada é o Presidente da República, Cavaco Silva.
O responsável pelas Finanças do país lembra que «enfrentamos problemas
muito delicados desde que a crise internacional começou», mas sublinhou também que «temos vindo a enfrentar essas dificuldades».
«Eu
ficarei na história de Portugal como o ministro das Finanças que mais dificuldades teve de enfrentar no seu mandato», disse.
Portugal
terá de ser agora mais criativo para se financiar
Teixeira dos Santos negou que o Governo esteja a tentar evitar
o ónus de ficar na história também como o executivo que pediu a ajuda do FMI. «Nunca teria problema em pedir ajuda, se fosse
indispensável», argumentou.
Questionado durante quanto mais tempo poderá o Estado resistir, e até quando teria dinheiro,
por exemplo, para pagar salários à função pública, o ministro foi evasivo.
«Nos próximos meses teremos de assegurar
meios de financiamento para que o país honre os seus compromissos, com todos os mecanismos disponíveis, ou seja, por todos
os meios, incluindo as instituições financeiras e o mercado. Teremos que ser mais criativos para assegurar esse financiamento»,
admitiu.
Risco de bancarrota não é sério
Ou seja, ainda que continue a tentar financiar-se nos mercados,
como tem preferido até agora, o Governo terá de procurar outros investidores, dispostos a comprar a nossa dívida, até porque
«as condições de mercado deterioraram-se de forma muito significativa».
Questionado se o país enfrenta o risco de
entrar em bancarrota, o ministro disse não acreditar «que o risco seja sério porque há vários mecanismos à disposição dos
governos, que podem ser accionados» para assegurar o pagamento da dívida.
Ministro sai de consciência tranquila
No
final da entrevista, Teixeira dos Santos disse-se «de consciência tranquila. Ninguém mais do que eu tem consciência das grandes
dificuldades com que o país tem vindo a confrontar-se. Vamos ter que continuar a fazer um esforço muito sério», avisou.
Da
sua parte, garante: «Dei sempre o meu melhor, tomei as medidas necessárias, não me preocupei com fenómenos de popularidade
ou de simpatia. Sou o rosto de quem pediu sacrifícios aos portugueses, e isso não é popular. Eu arco com essa responsabilidade,
mas fiz o que o país exigia».
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