Economia

Privatizações: Passos «pisca o olho» a Angola

«Vemos com bons olhos participação do capital angolano na economia portuguesa e privatizações»

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A um dia da sua primeira visita oficial a Angola, o primeiro-ministro mostrou-se já receptivo a um possível investimento angolano nas privatizações nacionais.

«O facto de já estar fechada esta primeira fase para novos interessados não quer dizer que Portugal não veja com muito bons olhos a participação do capital angolano na economia portuguesa e noutras privatizações que o Estado venha a realizar no próximo ano», disse Pedro Passos Coelho, em entrevista ao «Jornal de Angola».

«Vamos colocar outras participações à venda seja no que respeita à TAP, à ANA, que gere as plataformas aeroportuárias em Portugal, aos CTT, ou algumas empresas no sector dos transportes. Portanto, há ainda um lote de activos que o Estado vai alienar, tal como está previsto, e nós vemos com muito bons olhos a participação de capitais angolanos nesse processo, se for essa também a vontade dos investidores angolanos».

Nesta primeira fase, não houve empresas angolanas a participar nas privatizações da EDP e da REN.

Já quanto à Galp, «aí sim, como sabem, há pelo menos uma empresa angolana e outros capitais angolanos que já participam no capital da GALP. Este processo ainda não foi formalmente desencadeado, e não sei se há ou não interesse de capitais angolanos na alienação de capital que a Caixa Geral de Depósitos vai fazer».

À Rádio Nacional de Angola, Passos Coelho disse ainda que o Governo «não criará dificuldades» aos planos da Sonangol para deter uma posição directa na GALP. Ainda assim, avisou que a operação, a concretizar-se, terá de obedecer às regras do mercado.

Em relação à TAP, o chefe de Governo adiantou que, «formalmente», não foi informado do interesse do Estado ou de capitais angolanos privados neste processo de privatização. «Mas se vierem a ocorrer eles são muito bem-vindos».

E justificou: «Encaramos isso como um processo normal, em que duas economias que estão muito próximas, de países que são irmãos existam empresas ou capitais angolanos que, aproveitando este processo de privatizações, queiram reforçar a sua presença na economia portuguesa».

Crise em Portugal: recessão é «primeiro degrau»

Sem surpresas, o primeiro-ministro foi ainda interpelado em relação à crise que se vive em Portugal e ao resgate financeiro a que está sujeito.

«Nós já sabemos que em 2012 a nossa economia vai contrair em grande parte por que as medidas que estamos a adoptar de disciplina financeira e de consolidação orçamental contribuem para que a procura interna seja muito menor. Mas isto é como que um primeiro degrau, num trabalho que vamos ter que fazer no futuro. Se quisermos regressar a um padrão de crescimento e de criação de emprego, primeiro temos que pôr as nossas contas em dia. E durante esse processo é natural que a economia contraia num primeiro momento. Mas isto é para depois expandir e progredir». Lá para 2013.

Portugal vai dar a volta como a Irlanda

O jornal questionou Passos Coelho em relação a como espera que os portugueses reajam às medidas de austeridade. O primeiro-ministro respondeu que julga que, «com a apreensão de quem sabe que são medidas que trazem sacrifícios muito grandes, acreditam e têm a esperança de que a execução das medidas volta a pôr Portugal como um país credível, que paga as suas dívidas, que não gasta mais do que aquilo que tem, e que, dessa perspectiva, se torna um país fiável e credível»

A crise já derrubou alguns governos na Europa - exemplos recentes: Grécia e Itália. Mas o primeiro-ministro português prefere olhar para exemplos como o da Irlanda, que também adoptou «medidas políticas muito severas» mas que está hoje «em franca recuperação». Portugal tem também «todas as condições para ser bem sucedido no combate à crise».

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