Economia

Portugal poupava 3 mil milhões se pedisse ajuda

João Duque diz que pedido de resgate «é capaz de ser benéfico» já que Portugal paga cada vez mais para se financiar

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Se Portugal pedisse ajuda ao fundo de resgate europeu conseguiria poupar, pelo menos, três mil milhões de euros em cinco anos, considerou esta terça-feira o economista João Duque, que questionou a fundamentação dos cortes na despesa pública.

O economista e presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) defendeu que um pedido de auxílio ao fundo de resgate europeu «é capaz de ser benéfico», quando Portugal paga cada vez mais para se financiar e tem dificuldades para atrair investimento.

Contas feitas, segundo João Duque, compensaria a Portugal pedir ajuda, calculando a diferença entre os custos de financiamento que o Estado português paga agora e o que pagaria em caso de resgate, a taxas de juro semelhantes às que a Irlanda e a Grécia pagam.

OE prevê pagamento de juros de 6.300 milhões

«A diferença para os primeiros cinco anos de juros, para um programa de dois anos de financiamento chega a valores superiores a três mil milhões de euros. Numa situação tão difícil, não sei se estamos assim tão ricos ao ponto de desperdiçar esse rendimento», disse o economista, em declarações à Lusa, à margem do seminário Europa 2020 - uma Estratégia para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo, que decorreu na Assembleia da República.

«Parece que é um grande drama pedir dinheiro emprestado a algumas instituições, não a outras», acrescentou.

O economista defendeu ainda que «quanto mais depressa negociarmos com quem fizer esse financiamento, melhor. Negociar face a um ruptura de tesouraria, não é negociar, é entregarmo-nos completamente nas mãos de eventuais financiadores que vão exigir o que bem entenderem».

João Duque frisou que, este ano, o Orçamento do Estado já prevê um pagamento de juros de cerca de 6.300 milhões de euros, que será continuará a aumentar.

«Como vamos ter de reduzir a despesa e crescer uma das componentes tão significativas como os juros, nos próximos quatro ou cinco anos, já se está a ver o que sobra para o resto. Sobra cada vez menos», rematou.

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