PIB: revisão indica que previsões para 2010 vão ser superadas
Economistas antecipam já melhores resultados de crescimento para este ano do que os esperados pelo Governo, Banco de Portugal e Comissão Europeia.
- PorRedacção VC
- 2010-09-08 18:23
Os economistas acreditam que a revisão em alta do Produto Interno Bruto português entre Abril e Junho, anunciada esta quarta-feira
pelo Instituto Nacional de Estatística, reforça a ideia de que as previsões de crescimento do Governo, do Banco de Portugal
e da Comissão Europeia deverão ser ultrapassadas. Isto no caso de o país não entrar numa recessão profunda.
Apesar
de entre o primeiro e o segundo trimestre do ano se verificar um abrandamento da economia (de 1,1% para 0,3%), os economistas
antecipam já melhores resultados do que as previsões do Executivo (0,7%), do Banco de Portugal (0,9%) e de Bruxelas (0,5%).
«Se
no semestre que falta, o crescimento da economia fosse zero, Portugal chegaria ao final do ano com um aumento do PIB em 1,5
por cento», disse à agência Lusa Carlos Andrade, economista chefe do Banco Espírito Santo. Ou seja, perante os últimos dados,
as instituições internacionais e nacionais serão obrigadas a rever em alta as suas previsões de crescimento para Portugal
em 2010, apesar de um abrandamento expectável no segundo semestre.
«É provável» que o crescimento de Portugal este
ano «se aproxime da média da União Europeia», reforçou Cristina Casalinho, directora do departamento de estudos do BPI, acrescentando
que a sua previsão de crescimento do PIB até ao final do ano se situa nos 1,1%.
Menos investimento e falta de
emprego podem abalar PIB
Os dois primeiros trimestres do ano tiveram «uma evolução atípica» devido ao aumento
elevado do consumo, «provocado pela compra de automóveis» e por «uma antecipação das compras devido ao aumento do IVA em
Julho».
Será «muito difícil», acrescentou Carlos Andrade, que Portugal chegue ao final de 2010 com um crescimento
do PIB abaixo de 1,2% muito por causa do «comportamento positivo das exportações e uma evolução não muito favorável da procura
interna».
Para os dois economistas, os únicos indicadores que poderão «puxar» para baixo o nível de crescimento serão
o recuo do investimento e a falta de criação de emprego.
Procura interna: 2º semestre «muito débil»
No
fundo, a revisão em alta do PIB confirma «o cenário de recuperação gradual da economia portuguesa». Mas o valor trimestral
«está ainda 1% abaixo do nível máximo registado antes da crise», lembrou o coordenador do Núcleo de Estudos de Conjuntura
Económica Portuguesa da Universidade Católica, João Borges Assunção.
Uma realidade que ilustra bem «a dimensão da
mesma [da crise] e a lentidão do processo de recuperação». «É legítimo concluir que a evolução da conjuntura externa assumirá
um papel crucial no desempenho próximo da economia portuguesa» que não escapará a «um segundo semestre muito débil em termos
de procura interna». Tudo por causa do «comportamento anémico do consumo privado».
Os três economistas são unânimes
em considerar que tanto o Banco Central Europeu como a Comissão Europeia deverão, nas suas previsões de Outono, rever em alta
o crescimento da União Europeia e da Zona Euro, bem como de Portugal.
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