Bruxelas: previsões para Portugal serão piores
Comissão previu contracção de 3% no PIB. Mas para 2013, já esperava uma ligeira retoma
- PorRedacção JF
- 2012-02-23 07:00
A Comissão Europeia vai anunciar esta quinta-feira previsões económicas para todos os 27 países da União que, no caso de
Portugal, deverão ser ainda mais negativas do que as anteriores.
Em novembro, a Comissão previu que este ano Portugal
sofrerá uma diminuição de 3% no PIB. Para 2013, no entanto, a Comissão já esperava uma ligeira retoma, com um crescimento
de 1,1%. Ora, as projeções atualizadas entretanto reviram estes valores em baixa, refletindo a continuada deterioração de
outros indicadores.
O Banco de Portugal avançou em janeiro a previsão de uma quebra do PIB de 3,1%, e de uma retoma
em 2013 de apenas 0,3%.
Os economistas contactados pela Lusa partilham da opinião de que os números que a Comissão
vai avançar na quinta-feira serão mais negativos que os de novembro.
«Julgo que este ano deveremos ter [uma recessão]
por volta dos 3,5 por cento, e para o ano é muito difícil que [a retoma atinja] 1 por cento. Já ficaria muito satisfeito se
em 2013 não houvesse recessão, ficar pelos zero por cento seria ótimo», disse à Lusa Jorge Santos, professor do ISEG.
Gonçalo
Pascoal, economista-chefe do Millennium bcp, tem expetativas semelhantes relativamente à evolução da economia portuguesa.
«Estamos à espera de números perto [de uma contração do PIB] de 3,5 por cento este ano, e mais próximos do zero no ano que
vem».
Esta revisão em baixa «não constitui propriamente uma surpresa», acrescenta o economista do BCP: «Se pegarmos
nas projeções do BdP que saíram no início deste ano, as coisas já estavam mais ou menos alinhadas por um padrão semelhante.
Ter 0,3 por cento de crescimento ou ter zero, a este tempo de distância não me parece fantasticamente relevante».
Jorge
Santos concorda que uma revisão em baixa das previsões sobre o crescimento da economia portuguesa não é surpreendente. «A
menos que as coisas passem a correr muito bem na Europa¿, não é de esperar uma mudança de tendência, diz o professor do ISEG.
«Tendo em conta todas as medidas de diminuição do rendimento das pessoas e o que está a acontecer ao crédito das empresas,
é muito difícil que haja uma inversão».
Para a economia portuguesa, o «grande objetivo é que as exportações cresçam,
e para isso era bom que os nossos parceiros também crescessem», diz ainda Jorge Santos. «Desse ponto de vista, as coisas estão
um bocadinho complicadas».
Nas últimas previsões apresentadas pelo Governo, a expetativa para 2012 era de uma contração
do PIB de 3 por cento.
Em novembro passado, Bruxelas reviu em baixa as projeções que fizera na primavera, estimando
que a economia da Zona Euro crescesse afinal apenas 0,5 por cento em 2012 (contra os 1,9 antecipados em maio), e advertiu
para os «riscos reais» de uma nova recessão.
Já quanto à inflação, Bruxelas previu em novembro que descesse de
2,6 por cento em 2011 para 1,7 por cento este ano.
Bruxelas alarga previsões aos 27
A Comissão
Europeia vai alargar excecionalmente este ano aos 27 Estados-membros as projeções de crescimento do PIB e inflação para 2012.
Tradicionalmente,
as previsões interinas ¿ publicadas em fevereiro e setembro, entre as previsões económicas do outono (novembro) e primavera
(maio) ¿ apenas atualizam as projeções para o ano corrente de dois indicadores (crescimento do PIB e inflação) para os sete
maiores Estados-membros (Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Espanha, Holanda e Polónia), assim como agregados da Zona
Euro e UE.
Todavia, este ano, o comissário europeu dos Assuntos Económicos «decidiu excecionalmente pedir aos serviços»
que alargasse as previsões aos 27 Estados-membros «devido às rápidas alterações nas circunstâncias económicas», explicou o
porta-voz.
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