O «rating» explicado a todos
Está farto de ouvir falar em agências e cortes de rating sem saber muito bem o que isso é e como funciona? Nós explicamos-lhe tudo, por A+B. No final, vai ver que até parece simples
- PorPaula Gonçalves Martins
- 2011-03-30 21:40
Antes de mais, o rating é como notas ou classificações, que medem o nível de risco. Assim, quando uma agência baixa
a nota de Portugal, quer dizer que o país apresenta maior risco de não pagar as suas dívidas.
Existem três grandes
agências mundiais que atribuem estas notas: a Fitch, a Moody's e a Standard & Poor's (S&P). A primeira costuma ser considerada
a menos credível das três, e a última é aquela que os investidores mais seguem.
Como interpretar a tabela das
notas
A explicação torna-se mais fácil olhando
para a tabela de classificações tem 3 grandes áreas: A, B e
C, do melhor para o pior. Na zona A, cabem as classificações de «prime» (excelente, AAA), notas «altas» e «médias altas».
Os países com estas notas são os mais seguros.
A zona B já se divide entre notas positivas e negativas. As notas
que ainda incluem três B (BBB) são notas «médias baixas» e são ainda consideradas positivas. Mas daqui para baixo, está-se
no vermelho, é nota negativa e as dívidas destes países são consideradas «lixo». Isto significa que a dívida do país é considerada
especulativa, e pouco recomendável, por existir o risco de o país não pagar aos credores.
Nos primeiros níveis do
vermelho, pode-se considerar que estamos perante lixo mas com alguma qualidade. Depois, à medida que se vai descendo na tabela,
a qualidade do lixo vai baixando, em que o risco aumenta exponencialmente, até que se atinge aquilo a que se pode chamar de
lixo tóxico: um investimento que não interessa a ninguém. Esta categoria é atingida já na zona C, quando um país está na bancarrota
e com pouca ou nenhuma perspectiva de recuperar.
Quanto mais abaixo se está, maior o risco e maiores os juros exigidos pelos investidores.
Onde está Portugal?
As
três grandes agências têm diferentes tabelas de classificação, mas, independentemente do que chamam às notas, o significado
é o mesmo. A S&P, que baixou a nossa nota três níveis na última
semana, é a que nos atribui a classificação mais baixa: BBB-.
Estamos no último degrau em que ainda se pode considerar
nota positiva. Se descermos mais um nível (e a S&P não afasta um novo corte), caímos na categoria de não investimento, somos
considerados um investimento especulativo e passamos a estar na área do lixo.
A Moody's e a classifica-nos com um
A3 e a Fitch com um A- (duas notas que são, na verdade, equivalentes), três degraus acima da S&P. Mas a Fitch diz que também
pode obrigar-nos a descer mais degraus.
Estas agências
são de confiança?
Esta questão é polémica. As agências de rating sempre foram encaradas com credibilidade
e respeito pelos investidores, mas nos últimos tempos algumas dúvidas foram levantadas e estas têm sido alvo de críticas.
As
agências têm contratos com os Estados cuja dívida avaliam. Ou seja, Portugal tem contrato com estas agências, paga-lhes para
que avaliem a nossa dívida, para que lhe dêem uma nota, porque só assim os investidores se sentem seguros para investir na
nossa dívida, ou seja, para emprestar dinheiro ao país.
As agências não são directamente controladas por ninguém,
mas a exactidão das suas avaliações é medida pelos resultados que dão: se as agências avaliam de forma errada e dão más indicações
de investimento, levando os investidores a perder dinheiro, começam a ser vistas com maior desconfiança.
Ainda que
continuem a ser reputadas, a credibilidade das agências sofreu um duro golpe com a crise financeira, já que alguns bancos
e países a quem atribuíam boa nota se revelaram mais frágeis e acabaram mesmo por perecer com a crise. Ou seja, viu-se que
elas também falham e que alguma coisa estava mal nas suas avaliações.
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