Economia

Portugal terá de pedir perdão de 56% da dívida

Relatório do instituto Kiel diz que esta é a única solução viável para a economia do país, já que seria necessário que Portugal tivesse um excedente orçamental de 11% do PIB por ano para conseguir travar a espiral de dívida

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«A dívida de Portugal é insustentável. É a única conclusão», disse David Bencek, co-autor do relatório do instituto alemão Kiel, sobre a economia global, e que indica que Portugal deverá seguir o mesmo caminho que a Grécia e pedir o perdão de uma parte da dívida.

O documento, citado esta sexta-feira pelo «The Telegraph», conclui que Portugal terá de ter um excedente orçamental primário de 11% do PIB anualmente para conseguir travar a espiral da dívida. E mesmo num cenário de crescimento de 2% por ano, sublinha.

Um problema já que, na opinião de Bencek, nenhum país consegue um excedente orçamental acima de 5% por muito tempo.

Note-se que Portugal teve um excedente orçamental de 200 milhões de euros em 2011 e espera fechar 2012 com um saldo positivo. O excedente orçamental não inclui os juros da dívida pública.

Além disso, o responsável pelo estudo avisa que os mercados estão, cada vez mais, a comparar a situação nacional com aquela vivida pelos gregos há um ano. Aliás, o economista do Commerzbank disse hoje que os mercados mudaram o foco da Grécia para Portugal.

Solução? O perdão de 56% da dívida pública por parte dos credores privados (haircut). A única maneira, na opinião do instituto Kiel, de pôr Portugal num caminho sustentável e isto se o crescimento a longo prazo for 2%. Já se Portugal atingir um crescimento anual de 4%, o haircut deverá ser de 46%.

Os juros da dívida pública estão a bater recordes desde terça-feira, quando o «Wall Street Journal» escreveu que vários economistas, investidores e políticos receiam, cada vez mais, um segundo resgate a Portugal.

Depois de Passos Coelho ter garantido que «não vai pedir mais tempo, nem mais dinheiro», hoje foi a vez de Carlos Moedas reiterar que Portugal está a fazer «aquilo que vai ser essencial para não precisar de um segundo resgate».

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