Economia

SCUT: Minho quer país inteiro a pagar portagens

Associação Industrial do Minho diz que «é injusto que o Norte continue a ser a ovelha negra» como se fosse o único culpado pela crise

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Uma espécie de «um por todos e todos por um». A Associação Industrial do Minho (AIMinho) defende que a aplicação de portagens deveria alargar-se a Portugal inteiro e não apenas ao Norte do país. Desta forma, todos passariam a pagar as auto-estradas, mas por um preço mais baixo.

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«Se todos os utilizadores das actuais SCUT pagassem, seria possível descer o custo das portagens», afirmou António Marques à agência Lusa. O responsável frisou que é «inadmissível» que o Governo as aplique apenas na região Norte.

O empresário diz ter conhecimento de várias empresas da região minhota que são «muito prejudicadas» com a cobrança de portagens. É o que acontece com a Metaloviana e a Carsiva, da zona de Viana do Castelo.

«São empresas que vão ver os seus custos acrescidos em 80 a 100 mil euros por ano», exemplificou, frisando que «o mais provável é que sejam obrigadas a fazer despedimentos».

Norte tem o PIB mais baixo do país

Mais: «Não podem ser sempre os mesmos, os parolos do Norte, a pagar». Uma questão de responsabilidade para contornar o facto de «mais uma vez, a Região Norte [estar] a ser prejudicada em nome de uma crise que parece ser apenas] culpa sua. «Existem mais SCUT no país que não vão ser taxadas».

A AIMinho insiste que «é injusto e indigno que o Norte continue a ser a ovelha negra do país e que se continue a alimentar razões para regionalismos e preconceitos contra uma região que não se resignará quanto à ostracização constante».

A Associação lembrou ainda que o índice do PIB per capita do Norte é o mais baixo de todo o território nacional, com 80% da média nacional, atrás da Região do Centro com 85% e da Região Autónoma dos Açores com 89%.

«As trajectórias sub-regionais revelam um fenómeno preocupante: as várias NUTS III aproximam-se do Grande Porto, apenas e só, porque esta sub-região passou de 115% da média nacional para 100% em 2007». Ou seja, «o nivelamento sub-regional acontece pelo empobrecimento relativo do Grande Porto e não pelo aumento da riqueza nas outras sub-regiões», acentuou.

Exportações: Norte arrisca-se a perder a liderança

A AIMinho sublinhou ainda que «o Grande Porto, que era em 2006 tão rico quando a média do resto do país, caiu mais de dez pontos percentuais».

E, embora a região seja «tradicionalmente a maior exportadora do país», «arrisca-se a perder a liderança. No final de 2008, o Norte vendia ao estrangeiro 38% das exportações nacionais, uma fatia bem menor do que os 47%» de há uma década atrás.

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