Sócrates: «O mundo mudou em três semanas»
Primeiro-ministro garante que fez tudo o que pôde para não aumentar impostos
- PorRedacção PGM
- 2010-05-18 21:51
O primeiro-ministro justificou esta terça-feira em entrevista à RTP a violação da sua promessa eleitoral de não aumentar
os impostos: «o mundo mudou», disse.
José Sócrates começou por lembrar que, quando o Programa de Estabilidade e Crescimento
(PEC) foi apresentado, no primeiro trimestre do ano, ele foi aplaudido por todos e considerado suficiente para corrigir o
défice, ao mesmo tempo que protegia a nossa economia.
Veja aqui as declarações de Sócrates
«Entretanto o mundo mudou. Houve um ataque ao
euro, um ataque sistémico. Mudaram os mercados financeiros. Numa semana as obrigações do Tesouro pagavam juros de cerca de
5%, e uma semana depois estavam a mais de 7%. Foi uma mudança abrupta para Portugal, Espanha e todos países do euro. O que
houve foi um ataque à dívida soberana europeia», disse.
«Não peço desculpa por cumprir o meu dever»
«Não esperava ouvir isso de um banqueiro»
«Houve uma mudança significativa no ambiente
e uma desconfiança acrescida relativa à dívida soberana dos países do euro. Todos países foram atacados nessa semana e a Europa
tinha de agir em conjunto. Portugal não podia ficar de fora e não fazer nada», acrescentou.
«O mundo mudou em duas
semanas e tenho obrigação de conduzir governação estando atento às mudanças da realidade», disse ainda o primeiro-ministro.
Sócrates
admite que alta de impostos pode ficar até 2013
Sócrates está contra corte do salário dos políticos
Nunca pensei, nem nenhum dirigente
europeu pensou, que houvesse uma desconfiança generalizada em relação à dívida dos países europeus. Nunca pensei em aumentar
impostos. Fiz tudo para não aumentar os impostos, mas o mundo mudou nas últimas três semanas» concluiu.
Problema
nº 1 em Portugal é a recuperação económica
José Sócrates reconhece que o desemprego, cuja taxa atingiu os 10,6%
no primeiro trimestre, está em valores históricos, mas faz questão de sublinhar que essa é uma situação transversal a muitos
países da Europa.
O primeiro-ministro coloca a recuperação económica como o «problema número 1», porque sem crescimento
não há emprego.
«Se não tomássemos estas medidas, a recessão seria muito maior», garantiu.
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