Greve nos CTT: trabalhadores pedem ajuda a Cavaco
Funcionários estão contra alteração de horários decidida pela empresa que implica, dizem, perdas de retribuição até 250 euros. E, numa carta aberta, pedem ao Presidente da República para «repor a normalidade»
- PorRedacção VC
- 2010-09-13 16:12
Dezenas de trabalhadores dos centros de distribuição postal da Calçada da Boa-Hora, em Lisboa, manifestaram-se esta segunda-feira
até à Presidência da República, em protesto contra a alteração de horários decidida pela empresa, com perdas de retribuição
até aos 250 euros. Os funcionários apelaram ao Presidente da República para intervir junto do Governo e ajudar a «repor a
normalidade» nos CTT.
«A falta de qualidade que actualmente a gestão da empresa» os «obriga a prestar à comunidade»
é um dos motivos por que os trabalhadores cumpriram hoje um dia de greve.
«Em algumas zonas a distribuição em dias
alternados (feita por trabalhadores precários sem formação nem qualificação para o exercício da actividade profissional de
carteiro), o atraso na correspondência e a má organização do trabalho e a retirada da rede normal dos CTT de mais de 23 mil
correspondências diárias, que são entregues a uma empresa paralela» são alguns dos exemplos que constam na carta aberta entregue
è Presidência da República.
Na missiva citada pela agência Lusa, os 85 trabalhadores destes dois centros de distribuição
postal, que abrange uma área desde Campo de Ourique até Miraflores, consideram que «o modelo de organização que os CTT estão
a implantar leva ao acentuar da precariedade laboral». Mais: «Prejudica os utentes que recebem o seu correio por vezes com
vários dias de atraso e prejudica as empresas que recebem as suas correspondências quase no final do expediente».
As
acusações vão mais longe. Os funcionários acusam a «actual administração dos CTT, de inteira confiança do Governo e com o
consentimento calado do Regulador» de não respeitar «os compromissos a que está obrigada». Também aqui os trabalhadores dão
exemplos, referindo o encerramento de estações de correios, a criação de «circuitos paralelos» e a «redução dos salários».
Está
agendado para quinta-feira um novo plenário, onde poderão ser decididas novas formas de luta.
Instrução do caso
CTT arrancou hoje
Entretanto, o dia está a ser também marcado pelo início da instrução do caso CTT, com a inquirição
de testemunhas no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), no Campus de Justiça de Lisboa.
Um dos arguidos,
o ex-vereador da câmara de Coimbra, Luís Vilar estar «de consciência tranquila porque sempre estive na defesa do interesse
público», afirmou o ex-vereador socialista, no final da primeira sessão da fase de instrução do processo.
Luís Vilar
está acusado de corrupção passiva para ato ilícito e branqueamento de capitais.
A investigação iniciou-se há quatro
anos e esteve centrada na venda de imóveis dos CTT em Lisboa e em Coimbra. O inquérito levou a PJ a realizar buscas em todo
o país e a analisar diversa documentação sobre a gestão dos CTT e negócios com outras empresas.
Em Dezembro último,
o Ministério Público (MP) acusou 16 arguidos por vários crimes de cariz económico-financeiro, como corrupção passiva e activa,
branqueamento de capitais, participação económica em negócio, administração danosa e fraude fiscal, relacionados com a gestão
dos Correios entre 2002 e 2005, quando Carlos Horta e Costa, também arguido, presidia ao conselho de administração.
CTT:
trabalhadores cumprem hoje dia de greve
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