Estaleiros de Viana vão despedir 380 pessoas
Plano de redução de pessoal é a única solução face à falta de encomendas e à crise no sector
- PorRedacção PGM/JF
- 2011-06-20 17:50
Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo vão reduzir o número de trabalhadores. Segundo a administração da empresa, será
imediatamente implementado um plano de reestruturaçäo dos recursos humanos, implicando a saída, até final do ano, de 380 trabalhadores,
dos actuais 720.
Citada pela Lusa, a empresa diz que esta é a «única» soluçäo possível, tendo em conta a falta
de encomendas e a situaçäo internacional no ramo da construçäo naval.
Ainda hoje foi conhecido que os estaleiros
aguardam há quatro meses a assinatura de um contrato com a Venezuela, prometido quando Hugo Chávez esteve em Portugal.
Este
programa de reestruturação de recursos humanos, que prevê a redução de 380 postos de trabalho, admite saídas voluntárias,
reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo e vai custar 13 milhões de euros, já assegurados pelo Estado.
A
administração afirma que vai incentivar os trabalhadores à criação do próprio emprego e garantir a «protecção social», no
entanto, equaciona como «última medida» o despedimento colectivo.
Administração explica o plano
O
presidente do Conselho de Administração, Carlos Veiga Anjos acrescentou tratar-se de uma medida que se insere no plano de
viabilização aprovado, parcialmente, pelo accionista Estado, através da Empordef, a 14 de Junho, e que define a aposta na
construção militar e em navios de elevada incorporação «tecnológica».
Também por isso a empresa vai passar a funcionar
com os recursos previstos para a «actividade mínima», contratando serviços ao exterior sempre que a carteira de encomendas
assim o justifique.
«Qualquer projecto de modernização implica ajustamentos nas estruturas da empresa. A evolução
da indústria naval nos últimos anos tem sido exactamente no sentido da redução da componente física no trabalho do aço e aumentar
nas tecnológicas», garantiu Carlos Veiga Anjos.
Perdas e passivo explicam reestruturação
Os Estaleiros
Navais de Viana do Castelo fecharam o ano de 2010 com prejuízos de 40 milhöes de euros e o passivo ultrapassava os 200 milhöes
de euros no início deste ano. Os capitais próprios são negativos em mais de 70 milhões de euros.
«Estes números são
suficientemente claros. Esta decisão foi pensada e estruturada para salvar a empresa», explicou José Luís Serra, um dos três
administradores executivos. Acrescenta que face à situação da empresa, a solução agora aprovada visa acabar com a «alimentação
artificial pelo accionista».
Trabalhadores chocados com dimensão do corte
O plano de viabilização
foi apresentado esta manhã aos representantes dos trabalhadores, que se dizem «surpreendidos pela brutalidade dos números».
Mesmo os que há muito defendiam a reestruturação da empresa.
«Se é para reduzir efectivos para tornar isto apetecível
para um privado qualquer estrangeiro vir apoderar-se do que é nosso, obviamente que nem nós, trabalhadores, nem a comunidade
vianense o vamos aceitar», afirmou António Barbosa, coordenador da Comissão de Trabalhadores da empresa.
Lembra que
esta medida é aprovada «nas vésperas» da entrada em funções do novo Governo. «O que sai faz um favor fabuloso ao Governo que
entra, tudo coordenado pela troika externa e interna», criticou Barbosa.
Situação de «emergência social»
O
autarca de Viana do Castelo já admitiu que esta situação necessita de «um plano de emergência social para apoiar os trabalhadores
e suas famílias».
Por isso, José Maria Costa vai pedir ao Governo que active recursos comunitários de apoio aos
estaleiros navais, face ao anúncio da saída destes 380 trabalhadores.
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