Inovar ou resignar-se à crise? O dilema das empresas
Investimento em Inovação deixou de ser prioridade estratégica para empresas nacionais. Mas, a julgar pelas expectativas, será algo transitório
- PorRedacção VC
- 2011-10-26 15:20
Tempo de recessão. Optimismo? Só moderado. Impera a cautela entre as empresas que até agora apostavam forte no investimento
em Investigação e Desenvolvimento (I&D). A maioria não tem previsto no calendário contratar recursos humanos para esta área
de actividade no próximo ano. Um ano que portugueses e empresas sabem que não será fácil.
Os resultados do 7º Barómetro
sobre o Financiamento da Inovação em Portugal e na Europa, divulgados esta quarta-feira pelo grupo Alma Consulting, mostram
que 65% das empresas que participaram neste estudo (229 em território nacional) não pensam destinar mais verbas para I&D em
2012.
É que, se até ao ano passado o investimento em inovação era considerado uma prioridade estratégica para o
crescimento das empresas, deixou de o ser. Foi ultrapassada, segundo esta análise, pela qualidade dos produtos e serviços
e pelo desenvolvimento internacional.
É certo que a conjuntura acaba por minar as perspectivas das empresas no que
ao I&D diz respeito, mas será algo transitório. A maioria delas continua optimista quanto a futuros projectos de inovação,
embora em menor grau do que no ano passado (em 2010 eram 84%, agora são 68%).
Onde buscar financiamento?
Nestas contas de «sumir», há no entanto dados mais animadores: mais empresas (56%) beneficiaram este ano do Sistema de Incentivos
Fiscais à I&D Empresarial - o SIFIDE. E 36% daquelas recorreram a incentivos à inovação a fundo perdido e empréstimos reembolsáveis
duplicaram ou até triplicaram os empregos em I&D.
Conseguiram pintar um melhor quadro da crise: 12,5% multiplicaram
por três a sua presença internacional; 29% duplicaram as vendas das inovações que produziram. Souberam tirar partido da tecnologia
e da criatividade de quem a produz e/ou melhora.
Muitas companhias (77%) temem o desaparecimento do SIFIDE - até
pela menor importância que parece ter agora o investimento em inovação e também por causa das alterações que têm ocorrido
no campo da política fiscal.
«Portugal está a passar por uma recessão causada pelo colapso da procura interna e
pelas condições financeiras restritivas que têm afectado todas as indústrias portuguesas e, particularmente, as exportações
e os investimentos. O 7º Barómetro do Financiamento da Inovação destaca uma ligação mais fraca entre as empresas e a Inovação»,
resume o director de operações em Portugal do grupo Alma Consulting, Nuno Tomás.
De qualquer modo, em prol da produtividade,
da competitividade e das metas de exportação, as empresas que souberem - e puderem - investir em I&D estarão a tornar grande
uma sigla pequena, mas que, a julgar pelos benefícios que traz na bagagem, fará girar melhor o motor (agora gripado) da economia
portuguesa.
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