Empresas

Inovar ou resignar-se à crise? O dilema das empresas

Investimento em Inovação deixou de ser prioridade estratégica para empresas nacionais. Mas, a julgar pelas expectativas, será algo transitório

  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
0 votos Comentários
  •  
  •  
  •  

Tempo de recessão. Optimismo? Só moderado. Impera a cautela entre as empresas que até agora apostavam forte no investimento em Investigação e Desenvolvimento (I&D). A maioria não tem previsto no calendário contratar recursos humanos para esta área de actividade no próximo ano. Um ano que portugueses e empresas sabem que não será fácil.

Os resultados do 7º Barómetro sobre o Financiamento da Inovação em Portugal e na Europa, divulgados esta quarta-feira pelo grupo Alma Consulting, mostram que 65% das empresas que participaram neste estudo (229 em território nacional) não pensam destinar mais verbas para I&D em 2012.

É que, se até ao ano passado o investimento em inovação era considerado uma prioridade estratégica para o crescimento das empresas, deixou de o ser. Foi ultrapassada, segundo esta análise, pela qualidade dos produtos e serviços e pelo desenvolvimento internacional.

É certo que a conjuntura acaba por minar as perspectivas das empresas no que ao I&D diz respeito, mas será algo transitório. A maioria delas continua optimista quanto a futuros projectos de inovação, embora em menor grau do que no ano passado (em 2010 eram 84%, agora são 68%).

Onde buscar financiamento? Nestas contas de «sumir», há no entanto dados mais animadores: mais empresas (56%) beneficiaram este ano do Sistema de Incentivos Fiscais à I&D Empresarial - o SIFIDE. E 36% daquelas recorreram a incentivos à inovação a fundo perdido e empréstimos reembolsáveis duplicaram ou até triplicaram os empregos em I&D.

Conseguiram pintar um melhor quadro da crise: 12,5% multiplicaram por três a sua presença internacional; 29% duplicaram as vendas das inovações que produziram. Souberam tirar partido da tecnologia e da criatividade de quem a produz e/ou melhora.

Muitas companhias (77%) temem o desaparecimento do SIFIDE - até pela menor importância que parece ter agora o investimento em inovação e também por causa das alterações que têm ocorrido no campo da política fiscal.

«Portugal está a passar por uma recessão causada pelo colapso da procura interna e pelas condições financeiras restritivas que têm afectado todas as indústrias portuguesas e, particularmente, as exportações e os investimentos. O 7º Barómetro do Financiamento da Inovação destaca uma ligação mais fraca entre as empresas e a Inovação», resume o director de operações em Portugal do grupo Alma Consulting, Nuno Tomás.

De qualquer modo, em prol da produtividade, da competitividade e das metas de exportação, as empresas que souberem - e puderem - investir em I&D estarão a tornar grande uma sigla pequena, mas que, a julgar pelos benefícios que traz na bagagem, fará girar melhor o motor (agora gripado) da economia portuguesa.

Partilhar
    Inovar ou resignar-se à crise? O dilema das empresas

    Últimas notícias

    todas as notícias desta secção
    icons