Indústrias Criativas empregavam 64 mil pessoas
Empresas do Norte do país e da Galiza faturaram 2,3 mil milhões de euros em 2009
- PorRedacção JF
- 2012-02-24 10:19
As indústrias criativas empregavam, em 2009, no Norte de Portugal e na Galiza, 64.000 pessoas, representando uma faturação
superior a 2,3 mil milhões de euros, aponta um estudo a que a Lusa teve acesso.
Os dados constam de um trabalho «pioneiro»
coordenado pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Galiza-Norte de Portugal, retratando a realidade económica
do «setor das Indústrias criativas e culturais» para «evidenciar» o potencial de crescimento e emprego desta área.
Entre
os subsetores das indústrias criativas, os autores do estudo incluíram as artes cénicas e plásticas, fotografia, bibliotecas,
museus, arquivo e património, audiovisual, música, produto gráfico, rádio, arquitetura, desenho, publicidade e Tecnologias
de Informação e Comunicação (TIC).
«Este setor tem uma vantagem porque o seu recurso principal é ilimitado, que é
o capital intelectual e a criatividade. Assim, sem grandes recursos financeiros, pode ter um papel muito importante no aumento
da competitividade empresarial e contribuir para o desenvolvimento económico e para a coesão do território», explica Elvira
Vieira, diretora daquele AECT.
Os dados mais recentes, apresentados esta semana em Santiago de Compostela, referem-se
à Galiza, onde o estudo identificou, no ano passado, 13.543 empresas afetas às indústrias criativas, ou seja 6,9 por cento
do total de empresas daquela região espanhola, empregando 21.263 pessoas.
Dois anos antes, a região faturou, neste
área, mais de 1,1 mil milhões de euros. «Destacando-se a produção gráfica, com 60 por cento do total, o audiovisual com 17
por cento e as artes cénicas e música, com dez por cento», lê-se no estudo.
Do outro lado da fronteira, os dados
de 2009 apontavam para a existência de 20.703 empresas do setor, «grande parte» com menos de 10 trabalhadores, representando
seis por cento do tecido empresarial do Norte de Portugal.
A faturação no Norte ascendeu a 1,2 mil milhões de euros,
sendo que 70 por cento do volume de negócios correspondeu à produção gráfica, seguido do audiovisual (seis por cento) e das
artes cénicas (três por cento).
Em 2009, o setor representava 43.355 postos de trabalho no Norte de Portugal.
«Parece
evidente que o impulso das indústrias culturais e criativas se caracterize como uma fonte de oportunidades de geração de emprego
e riqueza para a eurorregião, pela dimensão histórica, cultural e patrimonial. Devem obrigatoriamente ter um papel de destaque
nas agendas políticas do governo português e no governo galego», defende Elvira Vieira.
Acrescenta que o setor «é
dinâmico e tem capacidade para gerar emprego», mas deve ser «dinamizado em alturas de crise».
«Pela criação de valor
que pode gerar, pelo potencial de empreendedorismo e inovação. Além disso, não nos podemos esquecer do efeito que tem nos
outros setores de atividade da eurorregião, nomeadamente no campo das tecnologias de informação, das comunicações, turismo,
entre outros».
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