Seis anos numa empresa pública a fazer nada e a ganhar 3.500 euros
Arménio Matias sai da CP depois de passar seis anos sem fazer «rigorosamente nada» e a ganhar 3500 euros por mês.
- PorRedacção
- 2007-01-09 09:41
«Desde que saí da administração da Rave, em meados de 2001, que os sucessivos conselhos de gerência da CP me não atribuíram qualquer função ou tarefa. Em audiência que pedi para o efeito a cada um dos presidentes, no início dos seus mandatos, sempre lhes comuniquei que estava ao serviço da CP e aceitaria qualquer função que me fosse atribuída. No entanto, a minha actividade durante esses cinco anos e meio limitou-se à participação em três reuniões de quadros da empresa.»
É assim, num texto publicado no seu blogue «Falando de Transportes», citado pelo «Público», que um dos quadros mais conhecidos do sector ferroviário justifica a rescisão do contrato com a empresa para onde entrou há 35 anos. Arménio Matias foi administrador da CP entre 1985 e 1990, tendo depois feito uma incursão na área das telecomunicações na Teledifusão de Portugal. Regressado à ferrovia, foi administrador do Metro do Porto, do Metro Mondego e mais tarde da Rave onde, em conjunto com Manuel Moura, delineou o desenho da rede de alta velocidade que viria a ser escolhido pelo governo de Durão Barroso.
Em declarações ao jornal, o também ex-presidente da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento do Transporte Ferroviário (Adfer), disse: «Desde que saí da Rave estive rigorosamente sem fazer nada.» Arménio Matias diz que não é caso único e que há mais quadros qualificados na prateleira, enquanto sucessivas administrações, «num processo que começou com Dias Alves (ex-presidente da CP) e que tem vindo a acentuar-se», vão contratando pessoas do exterior.
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