«Combustíveis até são baratos se contarmos com descontos»
Os consumidores devem ter em conta os descontos que têm nos combustíveis na hora de comparar preços.
- PorMonica Freilão
- 2007-09-25 19:58
Esta é, pelo menos, a opinião do presidente da Galp Energia que, numa comissão para «Acompanhamento das questões energéticas» na Assembleia da República, afirmou que «quando se comparam preços, deve-se fazer uma comparação líquida de impostos e de descontos».
O facto é que, segundo Ferreira de Oliveira, «Portugal é o país que mais descontos deve dar aos combustíveis». Significa isto que, «líquidos (de impostos e com os descontos) os nossos preços são inferiores aos que são praticados em Espanha», garantiu.
Recorde-se que os descontos a que o presidente da petrolífera líder em Portugal se refere resultam das parcerias que as petrolíferas detêm com outras empresas, quer sejam associações, clubes de futebol ou hipermercados (exemplo da Galp com o Continente ou BP e Lidl), ou dos próprios cartões de pontos destas.
Responsável apela à harmonização fiscal
Ferreira de Oliveira voltou a dar ênfase ao facto de os impostos que incidem sobre os combustíveis serem mais altos em Portugal que em Espanha, o que leva a esta diferenciação de preços pela negativa no nosso mercado face ao país vizinho.
«O gasóleo acaba por ser cerca de 10 cêntimos por litro mais caro que em Espanha e 30 cêntimos na gasolina. É uma grande diferença», disse, sublinhando ter esperança que «assim que as contas públicas o permitam, o Governo possa harmonizar a política fiscal entre os dois países no que diz respeito a esta matéria».
Apesar de achar que a diferença de preços no final acaba por ser grande e daí compreender que os portugueses se desloquem até ao outro lado da fronteira para abastecer os seus carros, adianta «lamentar como cidadão que os portugueses acabem por ir abastecer a Espanha e encher os cofres daquele país e depois usem as estradas da República portuguesa para voltar». Um apelo ao Estado pela própria perda de receita fiscal nestes casos.
O presidente da Galp, quando confrontado ainda por uma eventual concentração de preços entre as gasolineiras a operar, negou, afirmando que o que existe sim «é uma concorrência desmedida», até porque a Galp, comparando com os seus pares europeus, «é uma PME (pequena e média empresa)», acrescentou.
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