Privatizações: «Temos coisas interessantes em Portugal»
Opinião é de António Lobo Xavier que diz que a venda das participações do Estado a empresas estrangeiras não é uma ameaça à soberania nacional
- PorRita Leça
- 2012-02-09 18:36
«Temos em Portugal muitas coisas interessantes, mas por causa das agências de rating, da crise do euro e da incerteza,
os activos não estão a ser alvo da cobiça dos investidores como se fosse uma coisa natural». A opinião é de António Lobo
Xavier, que defende que não devemos olhar os «processos de privatização da EDP e da REN como coisas básicas que qualquer um
queria - os outros candidatos não chegaram a pagar o preço que o Estado considerava normal. As empresas estão descapitalizadas».
Para António Lobo Xavier, o processo de privatizações é positivo para o país e «não só porque está no memorando
da troika», defendendo que, em ambos os casos, a venda de capital a empresas estrangeiras não implicará a perda dos centros
de decisão destas empresas energéticas.
E deu exemplo da privatização da Portugal Telecom que, para o presidente
do conselho de administração da Sonaecom, foi «razoavelmente um sucesso», uma vez que não teve «impacto em matérias como segurança,
privacidade, respeito pelas normas internacionais».
Há ainda outro problema para resolver: «Há um problema de crédito
e essa situação precisa de ser resolvida com privatizações e com a reestruturação das empresas», explicou Lobo Xavier numa
conferência sobre o tema, promovida pelo ISCTE e que conta também com a presença do ex-ministro das Finanças Fernando Teixeira
dos Santos.
«É preciso parar o crescimento da dívida e suster o aumento do défice», justificou Lobo Xavier.
No
entanto, o democrata-cristão defende que, para garantir o sucesso do vasto ciclo de privatizações inserido no memorando da
troika, é preciso um «enquadramento legislativo auxiliar que o Estado tem de criar».
«As privatizações não podem
ser olhadas por si mesmas. O sucesso depende de outras políticas legislativas que tem de coexistir com as privatizações»,
disse Lobo Xavier, dando como exemplo a criação «de uma política de liberalização concreta e de um regulador» no caso da venda
de capital da PT.
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