Renováveis carregam mais 509 milhões na factura da luz este ano
Mexia diz que se queremos reduzir dependência do petróleo, este é o caminho a seguir. Por cada 10 dólares que o preço do petróleo aumenta, a factura energética nacional, cresce 100 milhões
- PorPaula Gonçalves Martins
- 2011-01-25 18:07
O presidente da EDP admitiu esta terça-feira que os sobrecustos com as renováveis - factura que pesará sobre os custos
da electricidade, serão de 509 milhões de euros este ano, se o custo da energia se mantiver em linha com o orçamentado pelo
regulador do sector.
Em declarações aos jornalistas, à margem de um debate sobre energia promovido pelo PSD no Parlamento,
António Mexia considerou que a aposta nas renováveis, ainda que sobrecarregue a factura eléctrica, é um caminho necessário
para «reduzir a dependência do petróleo», cujo preço «está actualmente nos 97 dólares e que muito rapidamente pode ultrapassar
a barreira dos 100 dólares».
António Mexia explicou que, por cada 10 euros de aumento na cotação do petróleo, a factura
energética nacional cresce 100 milhões de euros. «Em Portugal, como em Espanha, na Europa ou na China, se o preço do petróleo
aumenta, aumenta também o peso que essa parcela tem na factura energética.
«A dependência energética da Europa vai
continuar a aumentar e o sentido do preço do petróleo é sempre para cima», avisou.
«É importante apostarmos nos recursos
que são portugueses», até porque «metade do nosso défice externo tem a ver com a importação de energia».
António
Mexia explicou que o valor dos sobrecustos com renováveis tem já em conta o previsível aumento do preço da energia primária,
o petróleo e que, se as contas fossem feitas com os preços do primeiro trimestre de 2008, os sobrecustos caem para 158 milhões
de euros.
Recorde-se que a ERSE previu para 2011 um sobrecusto com a Produção em Regime Especial (PRE), essencialmente
eólicas e co-geração, de 1,2 mil milhões de euros, tendo como ponto de partida um preço de 46,6 euros por cada megawatt/hora
de energia no mercado.
O presidente da EDP afirmou ainda que a produção em PRE se divide em 55% de eólicas e 45%
de co-geração.
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