Nissan cancela investimento de 156 milhões em Aveiro
Foi um dos investimentos anunciados por Sócrates, iria criar 200 postos de trabalho, mas marca já não vai produzir baterias eléctricas em Portugal
- PorRedacção RL
- 2011-12-12 19:07
[Notícia actualizada às 20h26]
A Nissan vai cancelar a fábrica de baterias em Aveiro para os seus carros eléctricos,
um dos últimos investimentos estrangeiros anunciados pelo ex-primeiro-ministro José Sócrates.
A administração da
aliança Renault-Nissan «decidiu suspender a fábrica de baterias eléctricas em Portugal porque, após análise detalhada do plano
de negócios, chegou à conclusão que as quatro fábricas espalhadas por todo o mundo seriam suficientes para os objectivos»,
explicou à Lusa, o porta-voz da Nissan, António Pereira-Joaquim.
José Sócrates tinha lançado a 11 de Fevereiro a
primeira pedra da fábrica de baterias para carros eléctricos da Nissan em Cacia, Aveiro, que representaria um investimento
de 156 milhões de euros e a criação de 200 postos de trabalho.
A decisão de suspensão da fábrica portuguesa,
que começaria a laborar no início do próximo ano, não está ligada, segundo o porta-voz da Nissan, ao projecto de Portugal
sobre a mobilidade eléctrica, embora, na altura, «o avanço e a aposta do Governo nesta matéria tenha contribuído para a Nissan
ter optado por Portugal».
Mas a decisão por Portugal, na altura, ficou a dever-se, segundo o responsável da Nissan,
à «localização geográfica», já que Portugal estaria em condições de «ajudar» as outras quatro fábricas.
António Pereira-Joaquim
disse à Lusa que a aliança Renault-Nissan «esteve a fazer uma análise dos negócios e chegou à conclusão que, para atingir
a meta de 1,5 milhões de carros eléctricos em 2016, seriam suficientes quatro fábricas», o que deixou de fora o projecto português.
Segundo
o porta-voz da Nissan, o grupo «privilegiou as fábricas de baterias que estivessem junto de unidades de produção de automóveis
eléctricos», como as do Reino Unido (Sunderland), Japão (Vama), Estados Unidos (Smyrna) e França (Slinns).
A fábrica
portuguesa iria produzir 50 mil baterias de iões de lítio por ano, numa área de 20 mil metros quadrados, daria emprego a 200
pessoas, e forneceria o «motor» para os carros eléctricos da aliança Renault-Nissan com uma autonomia de 160 quilómetros.
Na cerimónia, o então primeiro-ministro, José Sócrates, que subiu aos comandos de uma retroescavadora para dar início
à obra, considerou que era um momento «muito especial para Portugal», realçando que o País precisava de «mais fábricas, mais
produção e mais emprego, na fronteira tecnológica».
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