Nissan: não podemos «prender» fábrica com incentivos fiscais
Secretário de Estado reconhece que não haveria mercado para mais uma unidade de produção das baterias
- PorRedacção PGM
- 2011-12-13 17:08
O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais disse esta terça-feira, a propósito da suspensão do investimento da Nissan
em Aveiro, que o acordo assinado com a troika impede a atribuição de novos benefícios fiscais como contrapartida para a manutenção
do projecto.
«O acordo assinado entre o Estado português e a troika impede expressamente novos benefícios fiscais
ou o alargamento dos existentes», disse aos jornalistas Paulo Núncio à margem de uma conferência da Deloitte, em Lisboa, quando
questionado sobre se o Governo estará a ponderar avançar com incentivos de modo a negociar com a empresa a continuação do
projecto que iria criar cerca de 200 postos de trabalho em Aveiro. «Não é possível criar benefícios fiscais para os fins que
referiu», acrescentou Paulo Núncio.
A Nissan vai suspender a fábrica de baterias que deveria começar a laborar no
início do próximo ano, disse na segunda-feira à Lusa o porta-voz da empresa, António Pereira-Joaquim.
A administração
da aliança Renault-Nissan «decidiu suspender a fábrica de baterias eléctricas em Portugal porque, após análise detalhada do
plano de negócios, chegou à conclusão de que as quatro fábricas espalhadas por todo o mundo seriam suficientes», justificou.
Já
quanto às contrapartidas acordadas entre o anterior Governo, que negociou o investimento, e a empresa japonesa, o secretário
de Estado preferiu não comentar. O governante disse que o esforço do Executivo para atrair qualquer tipo de investimento externo
terá de passar pelo Ministério da Economia, através de políticas de melhoria da competitividade económica do país.
Já
o secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, fez as contas e reconheceu não haver mercado para uma quarta fábrica de
baterias para carros eléctricos da Nissan, referindo-se à suspensão do investimento de 156 milhões anunciado na segunda-feira.
«A
empresa tem três fábricas de baterias em todo o mundo. Se considerássemos a produção da unidade de Cacia, estaríamos falar
de uma produção de 500 mil baterias em quatro anos. Pessoalmente não vejo onde haveria mercado na Europa», declarou na audição
da Comissão Parlamentar de Economia e Obras Públicas e citado pela Lusa.
Questionado pelo ex-secretário de Estado
das Obras Públicas Paulo Campos, Henrique Gomes avançou que «o conceito da mobilidade eléctrica já teve mais entusiasmo um
pouco por toda a Europa».
O modelo de negócio do projecto de mobilidade eléctrica português (MOBI.E) «está em avaliação
para garantir a sustentabilidade, nomeadamente o modelo tarifário, que não deve sobrecarregar a parte energética».
«Estamos
numa fase piloto, de investigação, e não deve ser o sistema eléctrico a sustentar os custos. É um projecto que deve ser acarinhado
no âmbito da inovação e não tanto no apoio às tarifas», acrescentou.
Henrique Gomes recordou a revisão, em baixa,
dos objectivos para a mobilidade eléctrica, adiantando que, em vez de 250 mil carros eléctricos em 2020, o INESC prevê que
sejam apenas 50 mil.
«Estima-se que, em 2020, a frota automóvel portuguesa movida a electricidade será residual,
não ultrapassando os 2% do total», por isso, «nos próximos anos não haverá necessidade de investir nas infra-estruturas principais
das redes eléctricas europeias».
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